Cultura

Após ter equipamentos roubados, araraquarense volta à ativa e monta estúdio de gravação na própria casa

Conheça a história de Erik Marçal, proprietário da gravadora “Aquiemcasamemo”

estudio de gravação em Araraquara

Foto: Rafael Salgado

Beat, batalha, EP, MC. Ficou sem entender alguma palavra? Calma que todas estas podem ser facilmente resumidas à uma só: sonho. Erik Marçal se encontrou na música em 2013 e, desde então, não deixou se abalar tão facilmente pelas adversidades. E pensa que tudo tem sido fácil no caminho do araraquarense? Bom, nem tanto.

Ao iniciar as gravações de seu primeiro trabalho musical no mundo do Rap, Erik juntou uma grana e comprou os próprios equipamentos para também poder gravar os trabalhos de outros músicos. Porém, pouco tempo depois, sua casa, onde o estúdio também estava, foi toda roubada e ele perdeu tudo o que havia juntado até ali.

Mas, como a vontade de fazer música e continuar as gravações era maior que qualquer coisa, Erik montou novamente a gravadora e assim nasceu a Aquiemcasamemo, estúdio de gravação localizado novamente em sua casa, em Araraquara. Até hoje, Erik já participou de mais de 30 trabalhos entre produção, composição e gravação. Nossa equipe bateu um papo com este talento de nossa cidade, que falou mais sobre o seu estúdio de gravação e, claro, sobre os seus sonhos. Confira:

Erik, você comentou que começou a gravar, após a produção do seu próprio EP. Você que fez o seu EP? Foi sozinho? Como foi isso?
Então, em relação ao meu EP, dizer que eu mesmo produzi, dizer que foi sozinho, não é correto. Sozinho, na verdade, foi mais pela iniciativa de querer registrar aquele momento. Foi em 2013, época que teve um despertar político no pessoal da cidade e foi quando comecei a fazer os beats das músicas. Mas tive a ajuda de dois DJs de São Paulo. Por isso que dizer que foi sozinho não é inteiramente verdade.

Você já tinha os equipamentos?

Cerca de um ano depois que eu comecei a produzir, eu consegui comprar os equipamentos. Porém, pouco tempo depois, a minha casa, onde o estúdio estava, foi roubada com todos os aparelhos e tive um atraso na distribuição em 2014. Por sorte eu encontrei a controladora, que é um dos itens mais caros, e voltei a exercitar a produção.

E foi nesta época que você começou a gravar para outros músicos? Como descobriram a “Aquiemcasamemo”?
Na verdade, eu conheci dois amigos meus, que até hoje são meus amigos, em uma batalha no Santa Cruz e convidei para gravar uma música deles. Assim surgiu o Interlúdio Rap que é um projeto de Rap que existiu durante quase dois anos aqui em Araraquara. A gente produziu um CD com 12 músicas e 11 instrumentais do CD são de minha autoria. O grupo não existe mais, mas fazemos músicas e projetos separados. Aí, o lance do “Aquiemcasamemo” as pessoas descobriram porque eu era frequentador das batalhas que existem ainda hoje, como a Batalha da Fonte, que foi pioneira na cidade. Aí eles foram perguntando onde eu tinha feito as músicas e eu sempre falava: “foi aquiemcasamesmo” e ficou o nome. Não era um superestúdio, mas na época ninguém fazia nada assim. Muitas vezes, inclusive, eu gravei de graça, para aprender.

O estúdio é para a gravação ou você participa da composição e da produção toda? E você grava todos os estilos
O estúdio é mais para a agravação dos vocais e posteriormente eu faço as gravações das músicas. Mas também faço as batidas, os instrumentais que os MCs gravam. E se a pessoa vier com o instrumental de outra pessoa, eu faço também. Já no estilo, o foco é o Rap, que é o estilo que eu me encontrei, mas estou sempre aberto para gravar outros estilos também.

Quantos músicos já gravaram o material aí no seu estúdio?
Desde que eu comecei a gravar, já passaram por aqui mais de 30 pessoas, entre homens e mulheres. Fora outros projetos bem do começo, que foram feitos na época que roubaram meu equipamentos, até meu computador. Tinham algumas gravações lá também, então, são mais de 30, com certeza.

É possível ganhar dinheiro com as gravações? Hoje é o seu maior meio de atuação?
Bom, eu estou tentando. Apesar de não ser o meu único meio de atuação, as gravações têm sido importante para pagar as contas no fim do mês. A produção musical tem dado uma melhorada e tenho visto que tem muita gente com trabalhos bons que têm me consultado. Por enquanto, tenho percebido um crescimento.

Onde fica o estúdio, na sua casa?
Então, o home estúdio, desde o começo, sempre foi na minha casa. Até recentemente, eu morava no mesmo local que eu gravo. Mas semana passada fiquei sabendo que vou ter que entregar esta casa e, por isso, preciso achar outro lugar para instalar a gravadora. Responder agora onde fica o estúdio é complicado.

E voltando para o seu EP. Há quanto tempo você é músico? E está com algum trabalho novo, recentemente?
Eu comecei em 2013, quando dei o pontapé inicial. Eu estou com um trabalho novo para lançar no ano que vem e, por causa desta busca pelo sustento em continuar com o estúdio, acaba faltando tempo para colocar em prática meus próprios projetos musicais. Todo dia eu faço algo: eu estudo, vejo um tutorial, converso com outras pessoas, vou colocando tudo numa agenda para me organizar e me forçar a todo dia fazer algo. Eu não tenho patrão, mas tenho que me colocar nesta posição profissional. Mas não é difícil, é algo que eu gosto muito e me confundo até entre trabalho e diversão. Tem dia que estou muito cansado e me forço a parar para descansar porque é uma coisa que eu gosto tanto, que até esqueço de parar.

Hoje em dia, muitas plataformas digitais possibilitam a “explosão” de um artista. Mas para ter essa “explosão nacional” não é sorte, né? Você, que lida com muitos músicos que estão começando na carreira e têm esse sonho, de viver de música, como enxerga tudo isso? Apesar da facilidade de hoje, é preciso muita persistência, né?
Então, eu não enxergo esta explosão de artistas por meio de plataformas como sorte, como você mesma falou. É algo que vem de muito trabalho, criando suas próprias oportunidades. Eu vejo que as pessoas acreditam que a cidade que elas moram não vão acompanhar a trajetória delas. Elas querem ir para outros lugares, antes de conquistarem o espaço localmente. Mas o tempo aliado a muito trabalho faz com que você aproveite a oportunidade e traga algum benefício à arte. Quem está começando sente um misto de ansiedade e vontade de estar lá em cima muito rápido. Nesse momento, nós temos que expor a nossa arte do jeito e do jeito que ela vier. Sem atropelar e com paciência.

Quem quiser conhecer melhor o trabalho de Erik e o estúdio de gravação Aquiemcasamemo, pode acessar: www.facebook.com/aquiemcasamemo

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