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As verdadeiras Donas do Pedaço de Araraquara!

Confira a história de mulheres que ganham a vida vendendo bolos e doces em Araraquara

Depois de seis meses no ar, a novela A Dona do Pedaço, da Rede Globo, vai chegar ao fim.

Entre trancos e barrancos, críticas e polêmicas, não se pode negar que a novela é o maior sucesso e claro, dá aquela vontade de comer um bolinho em todos os capítulos, não é mesmo?

E assim como a Maria da Paz, personagem principal de A Dona do Pedaço, pela atriz Juliana Paes, muitas mulheres daqui de Araraquara são verdadeiras Donas do Pedaço!

Não, elas não têm uma filha Josiane, não foram enganadas pelo Régis e nem apaixonadas pelo Amadeu, não.

Mas elas são mulheres guerreiras que mesmo com as dificuldades, continuam firmes e fortes trabalhando com que mais amam: os bolos e os doces!

Confira as histórias:

aline valila donas do pedaço araraquara bolos
Aline Valila
Instagram: @aline_deliciare

“No 2º ano de faculdade precisava levantar uma quantia considerável de dinheiro para realizar um projeto, então comecei a fazer trufas e vendi no corredor da faculdade. Depois, quando trabalhava como auxiliar administrativa em uma grande rede de concessionária automobilística na cidade e precisava de uma renda extra, voltei a vender as trufas. Já em outubro de 2017 não estava mais conseguindo conciliar o meu emprego formal com os ‘bicos’ na cozinha, e deixei a renda extra de lado novamente, afinal, pra quê trocar o certo pelo duvidoso? Em novembro de 2017, eu fui demitida da empresa, e foquei 100% naquilo que mais gostava de fazer – o que era uma renda extra virou minha fonte de renda. Atualmente trabalho com bolos simples, os famosos bolos da vovó que sempre vão bem para acompanhar o cafezinho, além de bolos recheados e decorados para todos os tipos de eventos com mais de 40 sabores diferentes, e os bolos na taça e os bolos salgados. Dentre os bolos simples, os mais pedidos são o de cenoura e limão; nos bolos recheados os mais pedidos são o de leite em pó com morangos, leite em pó com creme de avelã e brigadeiro. Já nos bolos salgados, a preferência dos clientes está entre os sabores de frango e presunto e queijo. Muitas pessoas não valorizam nosso trabalho, vemos muita gente dizendo: ‘por que tão caro assim, se você trabalha em casa?’. Diante destes e de tantos outros fatos, a gente até pensa em desistir, mas a sensação de terminar um trabalho e ver que está do jeito que idealizamos nos dá forças para continuar a trabalhar e conquistar nossos objetivos.”

Andreza dona do pedaço bolo araraquara
Andreza Lopes
Instagram: @andrezalopesdoces

“Trabalhar na área de alimentação é uma delícia. Comecei aos 14 anos em um restaurante e depois não parei mais. E foi quando eu entrei no McDonald’s, que eu tive todos os cursos e os treinamentos para lidar com Segurança Alimentar. Ali foi uma escola. Depois, comecei a trabalhar com a confeitaria. Fiz cursos presenciais e online. Estou trabalhando nessa área há três anos. Hoje, trabalho com bolos, tortas e doces personalizados, com pasta americana ou de Leite Ninho. Faço também o Smash The Cake (aquela bagunça que a criança faz com o bolo no aniversário de 1 aninho) e tantos outros. O meu carro-chefe são os Smash The Cake e os “Mesversário”, que hoje em dia fazem o maior sucesso. Ele é um bolo decorado com temas para cada mês do bebê, até chegar no Smash The Cake. São tão lindos! Além dos bolos, também trabalho com docinhos personalizados, tradicionais, maçã do amor, pão de mel, cupcake, cakepop e tudo para deixar a festa linda. Eu trabalho sozinha. Faço compras, passo orçamento, vendo pelas redes sociais, vou até o cliente quando necessário, entrego as encomendas, cuido da minha agenda. Tudo sozinha. E ainda sou mãe, dona de casa, etc… Muita dedicação. Quando eu comecei não tinham muitas pessoas que faziam esse trabalho de doces modelados. E esta área de confeitaria aumentou muito. Acredito que tenha sido pelo desemprego. Mas nunca pensei em desistir. Amo o meu trabalho.”

carol dinis dona do pedaço bolo
Carol Dinis
Instagram: @inboxgourmet

“Especificamente, iniciei com bolos caseiros há dois anos. Mas desde pequena, lá com meus cinco anos, eu já acompanhava as receitas da minha avó Elza. Eram muitos bolos e eu adorava ajudá-la.
O meu começo com a culinária foi em 2016, fazendo batata rösti para venda, e ali na cozinha fui me encontrando e colocando em prática as receitas que apreciava. Foi quando minha avó encontrou um caderno de receitas que ela mesma me presenteou quando tinha sete anos; nele tinha as receitas dos bolos dela com minha letra. Foi quando abri a mente para começar a venda de bolos caseiros também,  algo bem artesanal, bem específico para cada cliente. Hoje temos bolos caseiros e também contamos com um sabor recheado, Cinnamon Cake. No caso dos bolos temos os sabores de mexerica, iogurte com limão, maçã com canela e cenoura com brigadeiro meio amargo, um dos mais pedidos, além de outros sabores. Trabalhamos também com a produção de brownies, torta brownie, tortas com massa de biscoito, torta holandesa, e biscoitos amanteigados. Na área da cozinha, a mão na massa é  comigo mesma, é onde me encontro. Na área de marketing conto com a ajuda do meu marido, e nas entregas conto até com ajuda dos meus filhos (eles pedem para ajudar e foi uma forma de colocá-los participativos). Ser empreendedor, não só em Araraquara mas acredito que em qualquer lugar, não é  uma tarefa fácil. Mas é gratificante, é apaixonante. Em momento algum pensei em desistir. A comida em várias culturas é uma expressão de amor, e eu concordo plenamente. Estar na cozinha, fazer um bolo não é só fazer uma encomenda, é muito além. As emoções que você coloca no ato de fazer um bolo são fundamentais, eu até brinquei com meus filhos, quando eles vieram uma vez e perguntaram – ‘Mas mamãe, porque seu bolo sempre é  tão gostoso? O que você faz pra ficar assim?’. E eu respondi: ‘vou contar um segredo, o ingrediente que não pode faltar é  amor!’. Então, quando você trabalha com o que ama, você cria novas ideias, reinventa, mas não desiste!”

daniele basso dona do pedaco araraquara bolo
Daniele Basso
Instagram: @esmeralda_chocolateria

“Minha mãe sempre fez doces, principalmente bolos. Ela é o tipo de pessoa que tem o dom nato, os bolos a amam. Brinco que se ela esquecer de colocar fermento na massa, o bolo cresce mesmo assim. Eu sempre a ajudava a preparar suas delícias, mas ela não encarava isso como uma profissão e junto com minha tia, minha segunda mãe, que também me criou, sempre me incentivaram a prestar o ensino superior. Mas quando é para ser, não tem jeito. Pois foi justamente quando eu estava na faculdade (Pedagogia-Unesp Araraquara) que aconteceu o ‘start’ da minha carreira no mundo da confeitaria. Levei um dos bolos de minha mãe para uma confraternização da minha sala e todo mundo amou e pediram que levasse mais e eles pagariam. Fiquei alguns dias pensando como iria vender bolo, até que surgiu a ideia de vender cupcakes por serem mais práticos. As vendas foram um sucesso. Foi nesse momento que comecei a enxergar a minha paixão pela confeitaria como um negócio. Desde então, comecei a pesquisar tendências, receitas e formas de precificação. Foi em uma dessas buscas que conheci os bombons artísticos e foi amor à primeira vista. Hoje, nós produzimos barrinhas de chocolate, bombons artesanais e artísticos, além de bolo Vulcão e personalizado. Gosto de entregar a meus clientes produtos que transmitem afetividade, pensando nisso, quanto aos bolos, comecei a personalizar mensagens nos pratos. Escrevo à mão, com um pincel, a mensagem que meu cliente quer transmitir, e isso é bacana porque cria um vínculo entre ele e seu bolo. Como o cake boss, minha equipe é minha família. Somos eu, minha mãe e minha tia. E nem sempre é fácil. Mas, o importante para mim é conquistar clientes que valorizem meu trabalho, as matérias-primas de qualidade que utilizo e, acima de tudo, o quanto de amor invisto em meu trabalho.”

daniele cardoso dona do pedaço araraquara
Daniele Cardoso
Instagram: @adaniquefezaqa

“Sempre fiz bolos para casa e para família, mas não me lembro se desde criança eu já gostava disso. De uns três anos pra cá eu comecei a vender, mas como trabalhava fora, não colocava todos os meus esforços nisso. No começo deste ano, ficando 100% do tempo em casa, eu vi que poderia seguir com meu sonho de fazer bolos e doces. Foi então que criei o Instagram e o Facebook para divulgar mais meu trabalho. Faço bolos caseiros e bolos recheados. Entre os bolos caseiros tenho de cenoura com brigadeiro, chocolate, fubá. Já bolos recheados tenho de brigadeiro ao leite com doce de leite, bolo gelado de frutas, bolo de Leite Ninho com morangos, dentre outros. No bolo caseiro, o meu carro-chefe é o de cenoura com brigadeiro. Já entre os recheados, o mais pedido é o de brigadeiro de Leite Ninho com morango. Também faço docinhos, como brigadeiro e beijinho. Na Páscoa, trabalhei com ovos de colher e agora no Natal estou fazendo panetones e chocotones recheados e pão de mel decorado. A maior parte do trabalho eu faço sozinha faço as compras, os bolos e doces, além do material e da divulgação no Instagram e Facebook. Meu esposo sempre me ajuda nas entregas e minha mãe, quando preciso, me auxilia nos docinhos. Como meu negócio é pequeno, não sei dizer se é difícil ser empresária aqui. Mas já pensei em desistir sim, várias vezes. Nem tudo são flores, mas sempre com fé em Deus a gente vai seguindo nosso sonho.”

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Elisete Ribeiro
Instagram: @docim_do_ceu
“Comecei a trabalhar há uns dez anos. Desde criança gostava de fazer bolo pra família. Aí, percebi que isso viraria negócio quando algumas amigas começaram a pedir pra eu fazer. Hoje faço de tudo, tanto bolo simples como recheados. Os sabores são bolo gelado, trufados, brigadeiro, Dois Amores, bolo Prestígio, bolos com frutas. Mas também faço outros produtos como bombons, pirulitos de brigadeiro, Alfajor, pães de mel e também os docinhos tradicionais. Nessa época de Natal também trabalho com chocotones recheados e trufados. O meu carro-chefe é o bolo de brigadeiro e o bolo gelado de frutas. Hoje trabalho com a minha família. E sobre as dificuldades, não acho tão difícil assim. Mas já pensei em desistir sim, porém, amo o que eu faço por isso continuo persistindo.”

dona do pedaço bolos araraquara
Telma Bononi Malandrino
Instagram: @telmadastrufas

“Comecei há 18 anos, em uma Páscoa, fazendo Ovos de Páscoa. Como gostei de trabalhar com chocolate, acabei dando continuidade, pois fiz clientes e amigos que gostaram muito do meu produto. E tudo foi acontecendo naturalmente: como tenho três filhos, e eles têm muitos amigos, minha casa vivia cheia de jovens. E sabe como é, chocolate bom ninguém resiste! Trabalhei sempre com produtos de primeira linha, chocolate nobre e sempre dei preferência ao meio amargo, que caiu no gosto da maioria. Daí não parei mais! Conquistei alguns parceiros pra revenda, pessoas que têm estabelecimentos comerciais ou que trabalham em escritório….porque sempre dá aquela fome de um doce no período da tarde, ou depois de uma refeição. E assim continuo vendendo meus doces.
Os bolos também foram acontecendo naturalmente: fazia para os aniversários dos filhos, os amigos gostavam, o pessoal das empresas fazia encomendas… Claro que ia dando aquele medo das encomendas, porque na realidade eu não tinha prática em bolos, mas por trabalhar com produtos de qualidade, os bolos sempre ficaram saborosos também. O meu carro-chefe é o bombom de morango com Leite Ninho. Trabalho sozinha, em minha cozinha mesmo. O trabalho pra mim é terapêutico, óbvio que preciso ganhar dinheiro, mas adoro o que faço. É como aquele ditado: ‘trabalhe com algo que ama, que nunca mais vai ter que trabalhar’. Nunca pensei em desistir, existem os ciclos, às vezes aparecem mais encomendas, às vezes menos, mas continuo sempre caminhando.”

 

Informalidade vale a pena?
Para quem trabalha sem o registro de MEI (Microempreendedor Individual), que é a forma mais simples e barata de ter um CNPJ, nossa equipe conversou com Kátia Cristina Stamberk, Docente da área de Gestão e Negócios, para saber mais sobre o assunto.

Confira as respostas!

Quem tem um trabalho informal e quer se profissional, se tornar MEI, o que deve fazer?
Primeiro deve verificar se o atende os critérios para se tornar um MEI: faturamento anual não pode exceder a quantia de R$ 81.000,00; não ser SÓCIO, ADMINISTRADOR ou TITULAR de nenhuma outra empresa; e ter, no máximo, um funcionário. Atendendo a esses requisitos, basta procurar o SEBRAE mais próximo ou realizar o cadastro pela internet. Maiores informações pelo link: http://www.portaldoempreendedor.gov.br/.

Tem algum custo?
Sim, o MEI contribui com o DASN (Documento de Arrecadação do Simples Nacional). Trata-se de uma taxa mensal obrigatória no valor de 5% do salário mínimo mais acréscimo de 1 real de ICMS (para o comércio e a indústria) e 5 reais de ISS (para os prestadores de serviço). Essa contribuição pode chegar, no máximo, ao valor de R$ 55,90 por mês.

E quais as vantagens em ser MEI e sair da informalidade?
Cobertura do INSS (licenças, auxílios e aposentadorias). Isenção de tributos federais. Possibilidade de abrir uma conta de empresa no banco e passar a aceitar compras no crédito. Estar regularizado perante a lei. Contabilidade facilitada, a sua microempresa não necessitará de um contador. Entre outros…

Qualquer profissional pode ser? Até quem faz bolos em casa?
Não, além de atender os requisitos que falamos anteriormente, também existe uma lista de ocupações que podem tirar o MEI. Essa lista pode ser acessada pelo link: http://www.portaldoempreendedor.gov.br/temas/quero-ser/formalize-se/atividades-permitidas. Mas geralmente essa lista abrange profissionais autônomos que comumente nos deparamos no nosso cotidiano, como é o caso de quem faz bolos em casa…

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