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Casal de Araraquara transforma culinária vegana em negócio próprio

Conhece o Quitutes Veganos? Então saiba mais sobre como um casal de Araraquara que aposta cada vez mais na culinária vegana

culinária vegana em Araraquara

Foto: Cyntia Maria

No dicionário, a palavra quitute está definida como comida refinada. E, em Araraquara, seu significado não é diferente. A partir da vontade de disseminar ainda mais os princípios da culinária vegana, o casal Pedro e Cláudia desenvolveu o Quitutes Veganos, empresa alimentícia para a venda de pães, tortas e salgados sem nenhum alimento de origem animal. Para o casal, poder difundir os valores do veganismo sempre foi um dos principais objetivos. “A vontade de compartilhar as possibilidades de uma culinária exclusivamente vegetal, livre de cumplicidade com morte e sofrimento, era grande. Também nos comovemos com a falta de opções veganas nos espaços”, diz Pedro. Por isso, começar a apostar em um negócio com propósito e ainda auxiliar a população de Araraquara foi inevitável – assim como seu progresso.

Em pouco tempo, as vendas aumentaram e as opções do Quitutes Veganos também. Hoje, o casal está presente em diversos eventos, além de produzir salgados para festas e comemorações em geral. Para o futuro, o objetivo é tornar o Quitutes Veganos a principal renda dos dois e difundir a culinária vegana, para que ela seja cada vez menos um tabu.

Nossa equipe conversou com esse casal apaixonado pela culinária e soube mais detalhes deste projeto tão bacana de nossa cidade. Confira o bate-papo:

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Primeiro, gostaria de saber: há quanto tempo vocês são veganos?
Pedro: Somos veganos desde abril de 2015, ou seja, há dois anos e oito meses. Eu me tornei ovolactovegetariano em 2012, portanto, não como carne há mais de cinco anos. A Claudia se tornou ovolactovegetariana cinco meses antes de nos tornarmos veganos.

E por que decidiram deixar de consumir produtos de origem animal?
Pedro: Somos veganos porque é o mínimo que podemos fazer pelos animais. Para se alimentar de carne, leite, ovos e derivados, é preciso matar, torturar, encarcerar, explorar e ferir animais não-humanos. A única justificativa para causar tanta morte e sofrimento é a de que comê-los é um hábito, uma tradição e que dá “prazer” (para alguns). Nosso organismo não precisa de proteínas animais; pelo contrário, já se afirma o quão fazem mal à saúde. Mas não é por dieta ou pela saúde que somos veganos; é uma opção política e um compromisso moral e ético: nós não concordamos com a lógica que considera os animais como propriedade e mercadoria dos seres humanos. As evidências para a senciência animal são várias. Comprovou-se que animais não só têm interesse em não sentir dor e têm desejo pela vida, mas também vivenciam as mais diversas experiências – talvez, até mais diversas que as nossas –, apenas não as comunicam em linguagem humana. Portanto, são vidas que devem ser respeitadas. Assim como reconhecemos que todo ser humano, independentemente de suas características particulares, tem o direito fundamental à vida e de não ser tratado como propriedade alheia, todos os seres não-humanos também devem ter esse direito. Dessa forma, não acreditamos que os animais devam ser excluídos do princípio de igualdade e sim, incluídos no nosso círculo de compaixão e respeito.

E a transição foi muito difícil?
Pedro: Não foi difícil, uma vez que tomamos consciência dessas questões citadas acima e as tornamos valores importantes às nossas vidas. Porém, demorou um tempo para que tivéssemos acesso às informações de todos os produtos que são de alguma forma envolvidos com atividades de exploração animal. Acreditamos que, na verdade, é um processo que segue até hoje, pois pouco sabemos do que realmente acontece nas indústrias e de como os produtos chegam às nossas mãos. Também existe no veganismo a noção de que fazemos tudo que está ao nosso alcance para minimizar nosso impacto às vidas não-humanas, sendo improvável que esse impacto chegue a ser nulo.

Foi assim que surgiu o Quitutes Veganos? A empresa existe há quanto tempo?
Pedro: Sim, exatamente, começamos as atividades dos Quitutes poucas semanas depois de nos tornarmos veganos. A vontade de compartilhar as possibilidades de uma culinária exclusivamente vegetal, livre de cumplicidade com morte e sofrimento, era grande. Também nos comovemos com a falta de opções veganas nos espaços. Começamos vendendo só salgados e pães para amigos mais próximos e logo fomos convidados para expor numa feira da cidade chamada Convida; acontecia na Praça das Bandeiras. Desse momento em diante, começamos a trabalhar pela página no Facebook e as possibilidades foram se expandindo.

Pedro, você comentou que faz tortas, pães, salgados, né? Desde o começo ofereciam estes produtos?
Pedro: Na verdade, começamos apenas com pães e salgados. Posteriormente, com a página, aos poucos fomos ampliando as opções para encomenda, oferecendo tortas, empadões, quibes e mais. O crescimento do Quitutes Veganos representou e acompanhou o crescimento do nosso próprio conhecimento e maturidade com as experiências na culinária vegetal, mas nunca deixamos a paixão particular pela parte da panificação.

Vocês têm uma média de quantos produtos vendem por mês?
Pedro: É um pouco difícil estabelecer uma média mensal, porque temos uma diversidade grande de produtos oferecidos: além do cardápio semanal disponibilizado nas redes sociais, oferecemos também centos de salgadinhos para festas e eventos, salgados de tamanho convencional à cafeteria Estação Barroso – que desde o início desse ano revende nossos salgados em seu estabelecimento – e participamos ocasionalmente de feiras e eventos públicos que nos dão a oportunidade de expor especificamente nossos salgados. Uma atividade tão dinâmica torna difícil viabilizar uma quantidade específica de produtos vendidos ao longo de um mês.

Os dois dedicam-se integralmente ao Quitutes Veganos ou têm outras atividades?
Pedro: Não, eu também sou professor de redação e estou recentemente envolvido com a realização de um projeto social que é um cursinho popular e gratuito criado para atender especificamente mulheres e público LGBT, chamado CELPeDi. No entanto, estamos ambos integralmente envolvidos e muito nos dedicamos diariamente às atividades do Quitutes Veganos, fazendo com que a maior parte do nosso rendimento mensal provenha de nossas vendas.

Ambos sempre gostaram de cozinhar? Como surgiu essa paixão?
Pedro: Eu particularmente não, não tenho o hábito desde sempre; descobri a paixão por cozinhar ao também me apaixonar pela Claudia. Estamos juntos há quatro anos e meio. Cozinhar é um ato de carinho para com o próximo e também um modo de compartilhar a intimidade de um trabalho feito artesanalmente, em casa. É muito significativo para nós o ato de oferecer às pessoas um alimento feito pelas nossas mãos. A Claudia sempre gostou muito de cozinhar; desde muito nova, já aprendia muito com sua mãe, dona Cida. Ela tem uma mão muito boa!

Qual o maior objetivo de vocês com o Quitutes Veganos?
Pedro: Entre nossos objetivos, é claro que está a busca pelo nosso sustento e dignidade através de nosso trabalho com o Quitutes, que, logo, está aliado à nossa paixão pela cozinha e também à nossa vontade política pela disseminação da cultura vegana. Pra nós também é muito gratificante proporcionar a inclusão de produtos veganos acessíveis aqui na cidade em que moramos.

Vocês dois são araraquarenses?
Pedro: Não somos nativos, viemos para a cidade a estudos e já moramos aqui há alguns anos. Vivemos aqui até hoje porque gostamos muito da cidade, estabelecemos laços e conhecemos pessoas que inclusive nos proporcionaram e incentivaram a realização das atividades dos Quitutes Veganos mantidas até hoje.

E para quem ainda não conhece o Quitutes Veganos, o que vocês podem falar?
Pedro: Tudo que temos dito com nossa caminhada pelo veganismo e nossa paixão pela culinária está envolvida no que consiste o Quitutes Veganos. O intuito de nosso trabalho é fornecer alimentação vegana não só a preços acessíveis, mas também à base de ingredientes culturalmente familiares e populares. Sempre pretendemos utilizar ingredientes que venham da produção local da cidade para o feitio dos Quitutes, vendidos nas feiras dos produtores rurais, a fim de garantir a qualidade de nossos alimentos e incentivar a economia local. A culinária vegana deve deixar de ser um tabu, uma vez que plantas e ervas são base cultural de nossa alimentação desde sempre (além de serem deliciosas!). Nossa paixão, cuidado e carinho com tudo que fazemos com os Quitutes Veganos já são de confiança de nossos clientes, e a todos somos muito gratos. Gostaríamos de agradecer também a oportunidade proporcionada pelo Comunica Araraquara para contarmos mais sobre os Quitutes Veganos e sobre os valores importantes que envolvem todo esse trabalho.

Para conhecer mais esta novidade da culinária vegana, acesse: www.facebook.com/quitutesveganos

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