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Coluna Danilo Forlini: Criatividade é só para artistas?

Confira a primeira colaboração do autor Danilo Forlini

Foto: Freepik

O título desse texto é uma pergunta simples de responder. A resposta é não.

Criatividade não é só para artistas. Pra quem é, então? É possível de ser desenvolvida? É um dom? Como acontece no cérebro?

Esta e outras perguntas eu pretendo explorar e pesquisar todo mês nesta coluna que estamos estreando hoje, então vamos ao trabalho.

Pra começar, vamos precisar de uma forma de entender a criatividade. Existem várias e pesquisadores de áreas diferentes focam em aspectos diferentes para definir o que de fato é esta habilidade humana. Então iniciamos por um consenso, que é a sua finalidade: Criatividade é uma ferramenta para solucionar problemas.

Nós temos problemas de variados tipos. Desde coisas mais leves, como por exemplo “que roupa usar em uma determinada festa” ou “o que fazer para jantar com o que tem na geladeira”, até questões mais complexas como as ligadas a problemas no nosso relacionamento conjugal, um entrave difícil de superar no trabalho, ou uma crise financeira.

E naturalmente, também existem os “problemas” de ordem mais artística, por assim dizer. Criar uma nova música, um novo quadro, uma campanha publicitária, um novo roteiro ou escrever um livro. E por aí vai.

Quadro em tela pintado por Carla Castagno

Vamos entender aqui problema como demanda. O ponto é: Todas essas demandas citadas acima (sejam artísticas ou não), nós podemos resolver de formas não-criativas, como já estamos acostumados a resolver, e muitas vezes essa forma de agir pode dar certo, porque provavelmente vamos chegar aos resultados que sempre chegamos.

Entretanto, todas essas demandas também podem ser resolvidas de forma criativa: Ou seja, podemos tentar resolver cada uma delas de uma maneira original, de uma forma que nunca tentamos antes.

A chance de obter um resultado novo necessariamente será muito maior. Um exemplo: Pode ser que eu sempre resolva minhas crises financeiras com empréstimos, de modo que um empréstimo acaba me levando a outro num ciclo interminável.

Se eu resolvo tentar algo diferente, como buscar aumentar minha renda com um projeto extra, eu posso considerar isso como uma ação criativa, porque embora muita gente faça isso de inúmeras maneiras, pra mim será novo em relação a como eu me relaciono com esta questão no mundo.

Talvez eu consiga um resultado diferente que me tire do looping de empréstimos. Ou mesmo se eu quero escrever uma crônica, no momento em que paro pra pensar em como essa crônica pode ser diferente das que já existem no meu repertório ou das que eu escrevi, isso faz parte do meu processo criativo.

Se olharmos por este ponto de vista, fica fácil responder a pergunta central deste texto. Todos, sem exceção, temos problemas e demandas a resolver.

Algumas delas são simples, outras complexas. Algumas nos incomodam há duas semanas, outras há cinco anos.

Não importando qual seja, sempre há a possibilidade de pensar criticamente a respeito: Será que estamos tentando resolver sempre as coisas do mesmo jeito, esperando que de alguma forma o resultado será diferente?

Muitas vezes, a resposta será positiva, porque o pensamento criativo não costuma ser muito estimulado em nosso cotidiano. E é exatamente por isso que vale a pena olhar para essa habilidade natural humana, que não é privilégio e nem exclusividade de artistas.

Todos temos questões para lidar, e qualquer ferramenta que possa contribuir para nosso cotidiano vale nossa atenção, então abrimos agora as portas para um cotidiano mais criativo. Sejam bem-vindos a esta coluna, até mês que vem!

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Danilo Forlini ( @daniloforlini ) é Palestrante e Pesquisador em Criatividade, Improvisação e Educação. Mestre e Doutorando em Educação Escolar pela UNESP Araraquara, Escritor do livro de contos “O melhor presente que você poderia ganhar” e Diretor e Ator na Cia. Improvisória de Teatro.
Conheça mais em daniloforlini.com

 

 

 

 

 

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