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Coluna Érica Alexandre: 13 de maio e a nossa ancestralidade

Nesta coluna, Érica Alexandre reflete sobre o nosso passado, o Dia de Preto Velho e como devemos cuidar e respeitar os idosos

Caros Amigos, ouso chamá-los assim porque ao longo destes meses já adquirimos uma certa intimidade. E em tempos de ódio gratuito por qualquer motivo, faz bem pra alma ter ao redor pessoas que desejam sempre nosso bem. De certa forma isso é uma bênção, algo além de qualquer religião.

A cada dia vemos na TV, nos sites, no jornal impresso notícias que só trazem uma pergunta à nossa cabeça; sim aquela mesma pergunta que utilizamos pra puxar assunto com as pessoas nas filas dos bancos: “onde este mundo vai parar?” Infelizmente, não tenho a resposta para esta pergunta, pois o futuro é feito minuto a minuto, com nossas atitudes e pensamentos. Tudo depende do legado que vamos deixar neste mundo, e partindo deste pensamento, trago este mês em especial um texto sobre ancestralidade.

ancestralidade

Sim, meus caros, tudo que somos hoje, é consequência do que nossos antepassados construíram, toda a evolução tecnológica, científica, educacional partiu de uma ideia que veio lá do passado. Desde o fogo! Bendito ancestral que pegou aquela chama e assou seus alimentos nela pela primeira vez. Graças a ele, por exemplo, seu churrasquinho de domingo está garantido. Devemos usar o passado pra impulsionar o futuro, e não voltar nele e viver eternamente de memórias como um museu ambulante.

Nossa ancestralidade merece respeito. Em diversas culturas, os mais velhos são ditos os detentores da sabedoria, os que podem aconselhar qual melhor caminho a ser tomado. Sempre que lembramos da palavra ancião lembramos de um ser sábio, quase uma entidade, que se torna uma parte viva da história diante de nossos olhos.

Esse respeito e reverência aos que tanto fizeram por nós não se estende somente a um idoso ilustre, ele deve se estender aos idosos mais próximos, aos nossos avós, bisavós…enfim, o respeito e a ancestralidade não devem escolher status. É triste ver que pessoas simplesmente descartam pessoas como se fossem recicláveis e, após sua partida, choram, escrevem textos lindos nas redes sociais, mas na prática podemos contar nos dedos quantas vezes a pessoa visitou o idoso. Eles merecem e precisam ser ouvidos, eles precisam nos abençoar com suas palavras e apoio. Existe coisa melhor que bênção de vó ou abraço de vô?

Este mês, dia 13 de maio é o dia dos Pretos Velhos, principalmente nas religiões afro-brasileiras. Um dia para comemorar a sabedoria dos que passaram aqui pelo mundo e agradecer por suas contribuições. Pretos Velhos (que para muitos infelizmente ainda causam espanto) são entidades relacionadas às almas, que através de suas bênçãos simbolizam a resignação, força de vontade, sabedoria, amor, caridade e, especialmente, a humildade. Não são somente almas de ex-escravizados, mas sim almas que trabalham em um mesmo plano espiritual com o objetivo de ajudar aos que os procuram.

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Muitas vezes mesmo em dias corridos fica difícil tratá-los principalmente com mais paciência, mas volto a pedir uma coisa simples: sejamos empáticos. Um dia seremos nós (espero eu) esses idosos, seremos nós que precisaremos de cuidados, de amor, de respeito. E se desde agora não educarmos as futuras gerações a respeitar o antigo como base para o novo, assim como muitos de nós fomos criados, nós mesmos sofreremos as consequências. No futuro nós seremos a ancestralidade, e partindo disso finalizo por hoje com uma pergunta: quais ensinamentos iremos transmitir aos que virão depois de nós?

Érica Cristina Alexandre dos Santos, é araraquarense, casada, bacharel em Turismo e Hotelaria e organizadora de Eventos, cerimonialista. Érica também é turbanista (realiza oficinas gratuitas de turbantes para todos os públicos), professora de Técnico em Organização de Eventos e Técnico de Camareira e colunista do Comunica Araraquara. É do Amém, do Axé e do Namastê. E como diria Jorge Bem: “Abençoada por Deus e bonita por natureza”.

Contato: erica.alexandre23@gmail.com

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