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Coluna Érica Alexandre: Em tempos de ódio, a militância é fundamental!

Érica comenta como a militância é para trazer ordem ao caos

coluna erica comunica araraquara

Foto: Projeto Colabora

Militância, segundo o dicionário é um substantivo feminino que é “a prática da pessoa que defende uma causa, busca a transformação da sociedade através da ação: militância política, social, estudantil. Quem participa ativamente a favor de um ideal político ou social”.

Resumindo, a militância tem a função de recordar às autoridades qual o seu verdadeiro papel: ser um representante do povo, lhes assegurando direitos básicos como saúde, educação, saneamento básico e repasse adequado de verbas aos órgãos de direito.

Ser militante independe de sua posição política, deve ser algo natural para o ser humano que vive em sociedade, já que todos desejam viver em um mundo melhor, ou pelo menos deveriam fazer isso.

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Foto: Blog Ateu Racional

“Temos que ir para as ruas, temos que exigir das autoridades que respeitem a constituição, precisamos valorizar nosso voto, temos que lutar contra o sistema, ser a favor das minorias, acabar com toda forma de preconceito e opressão, temos que combater a corrupção…”

Sim, todas as afirmativas acima são verdadeiras, todas são reivindicações mais que justas, principalmente nos tempos loucos e arcaicos que vivemos hoje em dia.

Mas de nada adianta você ir às ruas, você ser a reencarnação de Che Guevara ou reproduzir fielmente Frida Kahlo em seus discursos, se você não muda em nada seu habitat, seu meio de vida.

Já dizia Emicida: “Cita Malcolm X sem coragem de lavar uma louça”.

Qual foi a última vez que você fez qualquer serviço doméstico em sua casa, sem que fosse solicitado ou praticamente ordenado por alguém?

Quando você ajudou alguém pelo simples fato de ver a pessoa feliz, sem esperar qualquer retorno?

Lembra-se da última vez que você advertiu aquele seu familiar durante a reunião de família por ele fazer piadas desrespeitosas?

Aquelas sobre o grau de inteligência das loiras ou dos portugueses, sobre os ‘dotes’ sexuais de homens negros ou orientais, ou aquelas clássicas sobre o cara ‘afeminado’ que merece apanhar…são engraçadas, não?! (Leia-se ironicamente).

Não adianta nada você ser a favor dos direitos humanos e xingar seus pais; de nada vai acrescentar em sua vida ser contra o porte de armas e agredir verbalmente todos ao seu redor.

Você não pode ser um homem desconstruído traindo sua mulher e nem ser uma feminista de mão cheia sendo intolerante com o amiguinho de religião diferente da sua.

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Foto: A CidadeON

Seu trabalho voluntário não anula as vezes em que você ‘pegou emprestada’ aquelas balinhas na loja com a logo vermelha no shopping ou usou a CNH do seu primo pra entrar naquela festa porque a entrada é para maiores de 18 e você só tem 16.

“Ah, mas todo mundo faz isso…” Para esta afirmação preciso parafrasear minha mãe: “Você não é todo mundo!”

Tentar fazer uma situação parecer natural porque ela também é feita por outras pessoas não anula suas falhas, só te torna mais um corrupto, ladrão ou intolerante andando pelo mundo.

Tenha autonomia suficiente para assumir seus erros, não cometê-los mais e usar a experiência tanto de maneira pessoal, como forma de evolução social e até espiritual, quanto como uma forma de enxergar de outra maneira os problemas alheios, de uma forma mais empática quem sabe.

Tem que ter respeito, gente! É tão simples: respeito!

Protejam seu meio, cuidem de sua casa tanto a construção quanto dos que habitam nela, bebam água, cuidem do coração, dos seus afetos, de sua saúde mental, não maltrate os animais e aí, sim, você começou a sua militância.

É com um passo de cada vez e assim você dominará o mundo (só espero que sua dominação seja mais pra Gandhi e menos pra Mussolini).

Agora escolha a forma de militância que mais lhe agrada!

Sim, você não precisa somente organizar passeatas pra ser militante; você pode fazer isso em forma de uma música, um grafite em algum muro, em forma de um texto veiculado em veículos de comunicação, como uma peça de teatro, um vídeo em suas mídias sociais, dando suporte a outros militantes…você pode até inventar um tipo novo de militância, sei lá.

Mas o principal é praticar o que você mesmo prega, se quer ser respeitado, comece respeitando; comece respeitando os seus e quando ver estará respeitando o mundo, um passo de cada vez!

Érica Cristina Alexandre dos Santos, é araraquarense, casada, bacharel em Turismo e Hotelaria e organizadora de Eventos, cerimonialista. Érica também é turbanista (realiza oficinas gratuitas de turbantes para todos os públicos), professora de Técnico em Organização de Eventos e Técnico de Camareira e colunista do Comunica Araraquara. É do Amém, do Axé e do Namastê. E como diria Jorge Bem: “Abençoada por Deus e bonita por natureza”.

Contato: erica.alexandre23@gmail.com

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