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Coluna Érica Alexandre: julho e a força da mulher negra

Confira mais uma colaboração da nossa colunista, Érica Alexandre

Desde que me conheci como negra, julho tem uma importância significativa em minha vida.

“Mas, como assim se descobriu negra Érica? Você nunca teve espelho em casa não?”

Para quem não sabe, a pessoa negra tem fases em sua vida. Primeiro ela nasce e descobre que é negra – às vezes é da pior forma possível (conhecem o famoso bullying na escola?).

Depois, ela tenta se encaixar nos padrões sociais aceitáveis (padrões geralmente eurocêntricos), até o dia que ela descobre que seu tom de pele é lindo, descobre como realmente é seu cabelo e valoriza cada curvatura de seu crespo.

Nessa fase, a pessoa se descobre, vai atrás de sua história, sua ancestralidade…a pessoa descobre a beleza e a força que possui por ser exatamente como é.

Não tem como determinar com qual idade ocorre cada fase, para cada um ela varia.

No meu caso, por exemplo, me descobri negra com uns 18, 19 anos e essa fase se estende até hoje como doses diárias de autoestima, história e empoderamento.

Mas vamos voltar ao significado de julho – pelo menos um deles. Já ouviram falar de Teresa de Benguela? Meus Deus, essa mulher…que inspiração!

Teresa Banguela Foto: Reprodução/Alma Preta

Teresa de Benguela, ou melhor, Rainha Teresa de Benguela foi a líder do Quilombo Quariterê, que se localizava onde hoje é o Mato Grosso, quase divisa com a Bolívia.

Por mais de 20 anos sob sua liderança, o Quilombo resistiu bravamente contra as expedições militares da coroa, tendo em sua organização um parlamento com deputados e senadores, força militar, agricultura de subsistência e de troca, enfim…sob a regência de Teresa, por anos, o Quilombo foi a pedra no sapato da coroa portuguesa.

O quilombo infelizmente foi destruído, mas o nome de Teresa ainda hoje é lembrado, sendo dia 25 de julho o Dia de Teresa de Benguela no Brasil e também coincidentemente o Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha instituído em 1992, no I Encontro de Mulheres Negras da América Latina e do Caribe, na República Dominicana.

O dia 25 de julho é uma data emblemática, uma data importante que valoriza aquela que é a base da sociedade, a mulher que geralmente tem que matar três leões por dia pra viver em paz com os seus.

Esse dia para a mulher negra é dia de celebrar suas lutas, suas conquistas pessoais, sua beleza e celebrar as conquistas do coletivo, afinal, já dizia Djamila Ribeiro: “A representatividade é importante, porque não basta ser mulher e mulher negra, mas tem que estar comprometida com as questões(…) Comprometida com as pautas feministas, com a questão racial, com a agenda dos direitos humanos no Brasil”.

Mas, e se você não é uma mulher negra? Comemore do mesmo jeito!

Pegue essa data pra homenagear aquela mulher preta que você tem em sua vida, seja ela amiga, namorada, esposa, colega de trabalho, madrinha, enfim.

Diga a ela quanto é especial em sua vida, demonstre seu respeito, isso é muito importante; um elogio e um gesto de respeito são o presente ideal neste dia e financeiramente falando não custam nada.

Celebre também por você: é parte de sua história como Latino Americano Brasileiro.

Quem sabe você tem mais de Teresa de Benguela do que imagina (pesquisem mais sobre ela, não contei aqui nem metade de toda a história).

Aqui em Araraquara em julho ocorre todos os anos um evento que premia mulheres negras da cidade que tem um papel importante na sociedade em homenagem a esta data, além é claro do Tradicional Baile do Carmo, evento organizado pela comunidade negra local, mas que acolhe a todxs.

Evento este que também comemora a união, as lutas e a história afro brasileira. Sobre o Baile do Carmo? Este fica para um outro dia…

Érica Cristina Alexandre dos Santos, é araraquarense, casada, bacharel em Turismo e Hotelaria e organizadora de Eventos, cerimonialista. Érica também é turbanista (realiza oficinas gratuitas de turbantes para todos os públicos), professora de Técnico em Organização de Eventos e Técnico de Camareira e colunista do Comunica Araraquara. É do Amém, do Axé e do Namastê. E como diria Jorge Bem: “Abençoada por Deus e bonita por natureza”.

Contato: erica.alexandre23@gmail.com

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