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Coluna Érica Alexandre: Turbantes – Uma História além da Moda

Em sua nova coluna, a araraquarense Érica Alexandre comenta sobre algo que conhece muito bem: o poder do turbante! Confira!

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Axé Meus Irmãos! Mês passado tivemos uma conversa sobre empoderamento e espero que o poder de cada um esteja em dia, bem carregado e mais forte que a justiça de Xangô. Continuaremos a falar sobre o poder, mas agora de uma forma diferente, o poder que um acessório pode trazer. Então sem mais delongas, vamos falar sobre turbantes!

O significado de Turbante é pano de cabeça, pano que envolve ou protege a cabeça. Não se sabe ao certo a origem dos turbantes, sendo que asiáticos e africanos reivindicam sua criação, se orgulhando em dizer que surgiram em seus respectivos territórios.

Inicialmente, eles eram utilizados com forma de proteção contra sol, chuva, ventos, calor, frio e outros. Posteriormente, ele recebeu a função de definir status, ou seja, quanto maior o turbante, mais poder aquisitivo a pessoa possuía, chegando a ser utilizado como coroa por reis e rainhas (mais dinheiro pra comprar tecidos, turbantes ao infinito e além!).

Eles determinavam também o local de origem da pessoa, e definiram religiões, sendo muito utilizados em várias religiões de matriz africana como Candomblé e em religiões de matriz asiática como o Islamismo. O pano de cabeça protege o ori (cabeça), parte mais sagrada do corpo humano de acordo com a espiritualidade. É onde o homem se liga ao sagrado.

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Flávia Rissi em Amarração de Turbante durante um Ritual de Conexão com a Ancestralidade. Foto: Arquivo Pessoal

Em algumas culturas é inadmissível o indivíduo sair de casa sem seu turbante. Isso define a importância desse acessório para várias pessoas ao redor do mundo. Com as navegações, deslocamentos ao redor do planeta, os turbantes começaram a ser utilizados em várias partes do mundo, para diferentes finalidades. No Brasil, por exemplo, foi trazido por negros escravizados e além de servir de proteção nas colheitas, ainda era o elo de ligação com sua terra natal, sendo muitas vezes proibida sua utilização pelos senhores de escravos.

Hoje, o turbante volta a ser utilizado, mas não meramente como um acessório decorativo, mas como símbolo de poder, de orgulho às raízes ou como forma de homenagem à uma cultura ou religião que a pessoa se identifica.

Pode ser utilizado por todxs, desde que tenha muito respeito envolvido em sua utilização. Turbante não é fantasia de carnaval, muito menos moda! Mas qual o segredo pra saber se posso ou não usar um turbante? É só trabalhar a boa e velha empatia e se fazer uma simples pergunta: “se eu usar o turbante da forma que desejo, vou agredir alguém com minha atitude?” Se a resposta for sim, melhor não usar, simples assim!

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A Miss Araraquara Lavínia Nunes e seu Turbante. Foto: Lívia Cristina Nunes

Trabalho há alguns anos oferecendo oficinas de turbantes pela cidade e contando suas histórias, sua importância, além de ensinar várias amarrações. Desde já fica o convite para que assistam a algumas destas oficinas, que são gratuitas: não se preocupem com a crise, somente em levar seu tecido e aprender a se coroar.

Mas e a questão de apropriação cultural? Isso fica pra um outro capítulo da nossa recente história caro amigo leitor. Finalizo com um poema feito por esta que vos fala – que me perdoe Machado de Assis, mas é o que temos pra hoje:

Turbante não é moda, turbante não é exótico,
Turbante não é “afro exclusivo”, nem “elitizado descolado”,
Turbante é afrontamento, empoderamento.
É despertar sua ancestralidade, seja de onde for;
É respeitar o passado, despertar o futuro.
Seja africano, indiano, sírio ou árabe
Merece respeito, merece atenção.
Turbante não é fantasia: “Respeite minha história!”
Turbantes têm poder: o que palavras não definem, ele pratica.
Turbantes externam alegrias, encobrem dores, fortalecem enfermos,
Protegem o ‘ori sagrado’, o axé, o amém, o namastê, o salaam aleikum.
Turbantes despertam reis e rainhas, coroam pequenas princesas e príncipes,
Mantêm a história viva, atual e fortalecem as lutas.
Permita-se encantar, permita-se conhecer,
Use seu turbante, mas que ele não te use.
E sobre a vergonha, o medo e o receio? Amarre debaixo do turbante e vá!

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Foto: Simone Alves @simonealvesb


Érica Cristina Alexandre dos Santos, é araraquarense, casada, bacharel em Turismo e Hotelaria e organizadora de Eventos, cerimonialista. Érica também é turbanista (realiza oficinas gratuitas de turbantes para todos os públicos), professora de Técnico em Organização de Eventos e Técnico de Camareira e colunista do Comunica Araraquara. É do Amém, do Axé e do Namastê. E como diria Jorge Bem: “Abençoada por Deus e bonita por natureza”.

Contato: erica.alexandre23@gmail.com

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