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Coluna Maria Eduarda Pierri: Mulheres unidas é medicina unida

Medicina e machismo tem alguma relação? Tem sim – e a nossa colunista, Maria Eduarda Pierri, fala sobre o assunto nesta nova colaboração para o Comunica Araraquara!

Foto: Divulgação/Flores.Seremos

Em meio à desastres, chuva de notícias ruins, calamidades, crimes… cada notícia boa é um alívio no coração e um passo pra fé no mundo melhor. Acreditem!

Esse mês nós tivemos uma data de grande importância, o Dia Internacional para Mulheres e Meninas na Ciência. Que boa notícia, ainda há o que se celebrar. E qual seria, portanto, a importância mundana desta data? Pode deixar que eu explico.

A Ciência, para quem ainda não se tornou cientista ou nunca teve contato com esse meio, é um ambiente masculino, em sua grande maioria, no qual as mulheres muitas vezes são ridicularizadas, não são ouvidas ou ainda tratadas como crianças (crianças não se ofendam, tá?!). Para nós, mulheres cientistas, mergulhar nesse mar de tubarões sendo um golfinho que só tem de ser bonito e engraçadinho, é uma tragédia, quando seu potencial é ser uma orca. Assassinemos de vez esse machismo.

E como toda boa cientista, vamos de dados: uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Amazonas em 2008 demonstrou que em determinada região que utilizava como forma de cura ervas medicinais um total de 44,5% das pesquisas e preparos eram feitos por mulheres, enquanto os homens representavam uma porcentagem de 5,7%. Isso é bom? É ótimo. A sabedoria popular e a medicina ancestral também são formas de fazer ciência, não no modelo tradicional acadêmico de método científico (por vezes enviesado), mas com mãos e ervas cheios de conhecimento, vivo, fértil e forte.

Então se está ótimo, não tem como melhorar? Tem sim. Vamos analisar aqui alguns outros fatores do mundo científico machista. Quantas vezes você ouviu a expressão “pai da medicina”, “pai da farmácia” e por aí vai? Quantas mulheres cientistas foram citadas na sua escola? Pouquíssimas ou nenhuma. Vou lançar uma hipótese: quantas mulheres eram tão inteligentes quanto os seus maridos, pais, irmãos, criadoras de várias invenções, mas que tiveram de dar os créditos a essa figura masculina pois a sociedade afirmava que a ciência não era para as fêmeas? Doeu. E ainda dói. Mas calma que estamos nos reunindo e coragem pode ter certeza de que não vai faltar. Mães das invenções científicas, uni-vos. Por mais mulheres, por mais meninas, por mais ciência feminina.

Foto: Thiago Schiavon

Maria Eduarda é artesã, empreendedora criativa, terapeuta integrativa, palestrante e educadora. Formada em Terapia Floral pela Healing Herbs Brasil, 2014. É pesquisadora autônoma em Cosmetologia Natural desde 2012. Graduanda em Farmácia-Bioquímica pela Unesp Araraquara desde 2016. Criadora do movimento Slowpharmacy no Brasil e idealizadora do projeto de expansão de saberes tradicionais Flores.seremos. Agora, Maria Eduarda também é colunista do Comunica Araraquara.

Contato: flores.seremosloja@gmail.com

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