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Coluna Tatiana Rodarte: dores no sexo e nada de orgasmo?

A nossa colunista fala sobre o assunto e suas soluções!

Todo mundo já recebeu um spam com o assunto: “aumente seu pênis em até 20 cm!”.

Todo mundo sabe da tal pílula mágica azul.

Todo mundo já ouviu uma piadinha sobre algum macho que broxou ou outro que gozou rápido demais.

Não defendo de maneira alguma o modo escrachado que nos referimos às disfunções sexuais masculinas.

Mas pelo menos elas são faladas – e tratadas – à luz do dia, já as disfunções das mulheres…

A medicina e a mídia fizeram questão, durante muitos anos, de estampar nas nossas caras aquilo que poderia abalar o tão enaltecido prazer dos homens.

Até que as coisas começaram a mudar.

Com a chegada do século XXI, o fortalecimento dos movimentos feministas e a onda de empoderamento feminino que temos observado, o prazer da mulher começou a ser, enfim, valorizado!

Inúmeras publicações sobre “como fazer um sexo oral de qualidade”, junto ao crescimento exponencial de cursos de massagens, ginástica íntima, pompoarismo e afins, transformaram a mulher em assunto principal das conversas e trouxeram para as nossas mesas de bar o desempenho e a satisfação feminina na prática sexual.

Sim, mulheres, nós estamos gerando revolução.

Porém, precisamos olhar para o outro lado da história.

E se, por trás de todo esse debate sobre sexo e prazer, só existir dor e frustração?

Pois é, as disfunções sexuais femininas existem e são muito, muito mais comuns do que nós imaginamos.

Segundo uma pesquisa realizada em 2010, no Instituto Prosex da USP, mais da metade das mulheres brasileiras sofrem de algum tipo de disfunção.

Vale a pena entender um pouquinho de cada uma para sacar a complexidade da coisa.

Disfunção do desejo: alteração no desejo sexual, seja para mais, seja para menos.

Todas nós já passamos por esta situação alguma vez na vida, porém quase 10% das mulheres brasileiras referem aquele desânimo persistente para iniciar alguma aproximação sexual.

Disfunção de excitação: alteração na resposta ao estímulo de excitação.

Ou seja, vontade até dá, mas o corpo parece não responder para 26,6% das mulheres avaliadas no estudo do Prosex.

A lubrificação e outros sinais podem ser ausentes ou insuficientes.

Disfunção do orgasmo: a dificuldade ou incapacidade de atingir o clímax representa 26,2% das disfunções apresentadas pelas mulheres no Brasil.

O sexo pode até ser bom, mas não há santo que faça com que o orgasmo chegue – nem mesmo sozinha.

Disfunções dolorosas (ou da dor gênito-pélvica): dor durante a penetração ou incapacidade de permitir a penetração, seja pelo pênis, dedos ou objeto.

A dor pode surgir no início, durante ou mesmo após o ato sexual e está presente para 17,8% das mulheres.

Para classificar a disfunção, os sintomas devem ter duração de no mínimo 6 meses.

É fundamental observar em qual momento o problema acontece, com quem, com qual frequência, e porquê.

Uma mulher pode pensar, por exemplo, que apresenta uma disfunção de desejo por não ter mais atração pel@ paceir@.

Porém, esta dificuldade pode estar na relação amorosa.

Outro caso comum é a dor na relação, que pode ser resultado apenas da falta de paciência d@ parceir@ em estimular a lubrificação da mulher.

Ou seja, tudo deve ser levado em consideração na investigação para o diagnóstico correto e busca da solução.

Boa parte das disfunções sexuais femininas começa a ser tratada com o estímulo ao autoconhecimento da mulher.

Saber todas as maravilhas que compõe os órgãos femininos, a grandiosidade do clitóris e nosso funcionamento diante dos momentos de prazer é o primeiro passo para qualquer experiência sexual satisfatória.

A avaliação médica é interessante neste processo, assim como o acompanhamento psicológico.

Para uma avaliação consistente das estruturas que compõe o nosso assoalho pélvico (conjunto de músculos da região da vagina e ânus), o fisioterapeuta é o profissional mais indicado.

A fisioterapia pélvica ou uroginecológica tem como objetivo avaliar tudo aquilo que envolve a função sexual feminina.

Através de vivências corporais e exercícios focados nas estruturas lá de baixo, descobrimos que nossos músculos da vagina podem responder às nossas vontades, tanto quanto nossas mãos.

Com acompanhamento adequado, é possível ganhar força muscular e flexibilidade, resolvendo pontos de tensão que poderiam justificar as dores.

Para quem se pergunta se o tratamento envolve o toque vaginal, a resposta é: depende.

Algumas técnicas envolvem, por exemplo, massagem localizada realizada pel@ fisioterapeuta ou o uso de dilatadores vaginais.

Porém, toda e qualquer intervenção deve ser aprovada pela paciente e são oferecidas alternativas não invasivas para aquelas que não se sentirem à vontade.

Conversa, confiança e determinação são fundamentais para um tratamento de sucesso e os resultados têm surpreendido as mulheres que, em sua maioria, nunca nem tinham ouvido falar disso.

Vale lembrar que uma disfunção sexual só é considerada um problema se VOCÊ considera um problema.

Se uma colega te conta que transa com o namorado, e apesar de nunca gozar, está muito satisfeita, ponto final.

Ela está satisfeita e não apresenta disfunção de orgasmo.

Em contrapartida, se outra colega comenta que sente dor na relação desde que entrou na menopausa, nunca a encoraje a pensar que é normal.

Estimule-a a pensar na causa, e a procurar ajuda. Afinal, toda mulher é capaz de sentir prazer. Só precisa descobrir o caminho.

tatiana rodarte comunica araraquaraTatiana Rodarte é fisioterapeuta em saúde da mulher, facilitadora de vivências e de grupos terapêuticos. Formada em Fisioterapia pela Unifesp Baixada Santista desde 2015, fez residência hospitalar pela Unifesp São Paulo. Atualmente é pós graduanda em Saúde da Mulher pela UFSCar e tem aprofundado seus estudos na área de autocuidado e sexualidade humana. Realiza atendimentos individuais na cidade de São Carlos. Entusiasta da liberdade de expressão e de todas as formas de amor, acredita que viver com prazer é um ato político.
Facebook: Tatiana Rodarte
Instagram: @tatiana.rodarte

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