Cultura

Forró da Morada: grupo contagia Araraquara com muito arrasta pé e cultura popular brasileira

Nossa equipe bateu um papo com seis integrantesdo grupo Forró da Morada, que levam cultura popular brasileira para todos os cantos de Araraquara

forró da morada

Foto: Reprodução/Facebook

Quando comecei a escrever esta entrevista, decidi por uma trilha sonora especial: muito forró para me inspirar. As primeiras músicas escolhidas foram do EP “Veia Nordestina”, da cantora Mariana Aydar. E, em pouco tempo, eu já estava contagiada por esse ritmo legitimamente brasileiro. Foi só ouvir um pouco da sanfona acompanhada do triângulo que tudo fluiu. Depois, foi a vez de Dominguinhos, natural de Garanhuns, em Pernambuco, e que se tornou uma grande referência da música, conquistando importantes prêmios como o Grammy Latino e Prêmio Shell de Música.

E aí, além de ouvir as músicas, fui atrás da história do forró. Descobri que, segundo o pesquisador Luiz Câmara Cascudo, o forró surgiu no Nordeste e sua a palavra é derivada de “forróbodó”, que significa “arrasta pé” e esta é uma das maiores características de sua dança: arrastar os pés por onde for com muito gingado e alegria.

E depois, ao final de todo o processo, eu descobri o mais importante: é impossível ficar imune à paixão do forró. E foi isso, esse “dois pra cá dois pra lá”, esse “arrasta pé do bom” que uniu seis amigos de Araraquara. Joana Zambrano, Bruno Joly, Henrique Bisetto, Renato Bueno e Tom Harrison são os integrantes do Forró da Morada, banda que surgiu a partir da paixão de ambos pelo forró e pela cultura popular brasileira.

“Três dos integrantes do grupo – Bruno, Henrique e Renato – se conheceram na faculdade, em 2009, fizeram amizade e hoje moram juntos. O Henrique conheceu, através de uma amiga comum da Capoeira, o Tom. Joana, por sua vez, conheceu o Dênis, em 2018, nas rodas de samba de Araraquara, e o Bruno através de uma amiga em comum, em 2017 (arte e cultura estiveram sempre presentes nos círculos de amizades, facilitando os encontros). Daí até todos se conectarem foi um pulo”, contam em entrevista exclusiva ao Comunica Araraquara.

Neste bate-papo, os músicos também falaram, além do início do grupo, as influências musicais, cultura popular brasileira e a importância de ter uma mulher à frente da banda, em tempos de patriarcado e machismo.
Confira:

forró

Vocês já eram amigos, né? Como se conheceram? E há quanto tempo são amigos?
Três dos integrantes do grupo – Bruno, Henrique e Renato – se conheceram na faculdade, em 2009, fizeram amizade e hoje moram juntos. O Henrique conheceu, através de uma amiga comum da Capoeira, o Tom. Joana, por sua vez, conheceu o Dênis, em 2018, nas rodas de samba de Araraquara, e o Bruno através de uma amiga em comum, em 2017 (arte e cultura estiveram sempre presentes nos círculos de amizades, facilitando os encontros). Daí até todos se conectarem foi um pulo.

E como surgiu a ideia de montar o grupo?
Os meninos costumavam juntar amigos em sua casa para fazer um som, despretensiosamente. Os encontros musicais começaram a ganhar frequência e consistência, até que surgiu uma oportunidade de tocar num evento de forró, embora a banda não estivesse formada oficialmente. Acabamos nos juntando através dos esforços do Bruno, que estava envolvido no evento.

Queria saber, de cada um, sobre o começo da paixão pelo forró.
Todos do grupo são apaixonados por música e cultura brasileira, e sempre frequentamos shows de forró, pra apreciar e dançar. Nos encontros em que fazíamos um som, o forró sempre esteve presente.

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E pela música: como cada um começou a ser músico?
Joana: quando eu era pequena, meu pai me deu um violão e depois minha mãe me colocou para fazer aulas. Depois, na escola, eu tinha muito incentivo à música, teatro e comecei a cantar. Dali, não parei mais, fui conhecendo outros ritmos e participando de grupos de cultura popular brasileira.
Bruno: quando eu tinha por volta de 12 anos eu comecei a trabalhar num restaurante de um tio e lá tinha um violão; eu fugia do trabalho e ia pra dentro da casa tentar tocá-lo. A partir disso, eu pedi um violão pro meu pai e comecei a fazer aulas.
Doca: quando eu tinha 10 anos fui passar as férias na casa dos meus avós, onde tinha um violão encostado. O gosto pela música me fez pegá-lo para brincar e desde então não parei de brincar de música.
Henrique: comecei a tocar violão com 13 anos de idade de forma amadora. Posteriormente, com a capoeira, tive contato com a cultura popular e sua musicalidade, que somada a outras influências me incentivaram a estudar música de uma forma mais profissional.
Denis: a música esteve presente na minha vida desde pequeno, já que outras pessoas da família também são músicos. Comecei estudando piano quando era criança e depois me enveredei para outros instrumentos, como sopro. Em São Paulo e Campinas cheguei a frequentar faculdades de música e já trabalhei compondo trilhas sonoras e alguns sambas.
Tom: Fiz conservatório durante minha infância e adolescência e posteriormente participei de bandas e conheci a cultura popular através da capoeira angola com Mestre Jaime de Mar Grande. Também ao longo do caminho aprendi a produzir instrumentos musicais, o qual virou minha profissão.

Como é a rotina de ensaio de vocês? São todos os dias?
Os ensaios acontecem uma vez por semana, e quando temos show, naquela semana tentamos nos encontrar mais vezes.

E quais as maiores referências?
Alceu Valença, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Zé Ramalho, Elba Ramalho, Geraldo Azedo, Mariana Aydar, Chico Cézar, Falamansa, Mestrinho, Tom Zé, Lucy Alves.

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Como vocês definiram o show de vocês?
Nos shows nós buscamos transmitir o tesão que sentimos pela música, transformando-o em energia, diversão e impulso pra dançar! A gente quer que as pessoas brinquem conosco! Queremos vê-las sorrindo, dançando, transbordando alegria!

O projeto é um hobby ou é algo profissional; existe a intenção de viver da música?
O projeto começou como um hobby, mas tem ganhado contornos cada vez mais sérios. Cada um de nós tem investido cada vez mais em formação e aprimoramento musical.

E para mim foi muito simbólico ver uma mulher à frente da banda. Como é isso para você, Joana?
Como banda, estabelecemos uma relação bastante horizontal, mas ainda é inegável a discrepância entre o número de homens e mulheres na música, no forró. Fico feliz em ver as mulheres cada vez mais ocupando papéis de destaque na música, mas ainda sinto que falta espaço entre instrumentistas e produtores.

E como vocês vêm a importância de levar um ritmo essencialmente brasileiro para os palcos?
Todos nós temos um interesse muito grande pela cultura brasileira como um todo, e em especial pela cultura popular. Alguns já passaram pelo Maracatu de Baque Virado, Capoeira, Samba, SDamba de Coco, Samba de Roda. O forró dialoga com essas referências de diferentes formas. Achamos importante nosso trabalho, pois valorizamos e difundimos algo que vem essencialmente do povo diminuindo as distâncias entre Nordeste e Sudeste.

Para saber mais detalhes do grupo, acesse: https://www.facebook.com/forrodamorada/

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