Cultura

Araraquarense comenta expressões racistas que você não deve usar mais

Vamos aprender mais sobre a nossa língua?

expressões racistas

Você sabia que algumas palavras e expressões racistas são comuns no nosso dia a dia?

Não deveriam, mas isso é muito comum e, o pior, muitas vezes quem diz, nem sabe o real significado daqui.

É o que explica Erica Alexandre, nossa colunista.

De onde vem?
“Muitos termos que utilizamos na língua portuguesa brasileira têm sua origem em alguma situação, história ou momento, ocorridos principalmente no período Brasil-Colônia.

Como sabemos nesta época o Regime de Escravidão estava em seu auge no país e muitos termos usados para desmerecer uma pessoa por sua cor de pele surgem neste período.

O problema é que a política mudou, as formas de trabalho e tratamento também mudaram (ou pelo menos deveriam) e alguns termos continuam sendo utilizados, por alguns de forma consciente, por outros de forma inconsciente”.

Vamos mudar isso!
expressões racistas
Para o Comunica Araraquara, Érica, que além de ser professora de Técnico em Organização de Eventos e Técnico de Camareira, também é turbanista (realiza oficinas gratuitas de turbantes para todos os públicos), comentou sobre 14 palavras e expressões racistas.

Confira o que ela disse sobre cada uma. Vamos juntos mudar isso e parar de usar essas expressões racistas?

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COR DE PELE

“Termo utilizado para denominar o lápis de cor ou tinta com tonalidade rosada semelhante à cor de pele de pessoas brancas.

Fazer a comparação de apenas essa determinada cor como sendo o tom de pele apropriado você desvaloriza qualquer outra tonalidade de pele.

Hoje em dia empresas principalmente especializadas na fabricação de lápis de cor estão trabalhando com diferentes tonalidades para demonstrar a pluralidade, a diversidade de tons de pele desde a infância.”

 

MULATA

São chamadas as pessoas com o tom de pele mais claro, geralmente com descendência branca e negra.

Porém, este termo surgiu da palavra mula, fazendo uma comparação da cor da pelagem do animal com a cor da pele da pessoa. Neste caso a miscigenação era algo visto como impróprio, por isso seus descendentes eram desvalorizados.

 

COR DO PECADO

Tem-se como a cor do pecado, a pele negra, a mulher ou homem negro.

Este termo objetifica a pessoa, é naturalizar um pensamento racista que associa o negro, a mulher negra em especial a uma atração sexual.

A hipersexualização do corpo negro tem início aí.

Para quem não acredita que isso ainda ocorra, pense em carnaval, em “Globeleza” e em “Rainhas de Bateria”.

A maioria é composta por mulheres negras, com corpos esculturais, sambando seminuas, como um tipo de atrativo para turistas.

Enquanto isso, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgou que 61% das vítimas de estupro são mulheres negras e jovens.

 

NÃO SOU TUAS NEGAS

Ainda neste contexto temos outro termo bem polêmico que deve aos poucos sumir de nosso vocabulário.

É o “NÃO SOU TUAS NEGAS”.

Facilmente explicável, também originário do período da escravidão, onde os senhores faziam o que quisessem com as negras de sua propriedade.

A frase deixa diz que com as negras pode tudo, e com as demais não se pode fazer o mesmo.

 

TER UM PÉ NA COZINHA

Expressão que faz associação com as origens, “ter o pé na cozinha” significa ter origens negras.

O negro é associado aos serviços domésticos, já que as escravas podiam ficar dentro das casas grandes na parte da cozinha, onde, inclusive, dormiam no chão.

 

MORENO

Aqui o objetivo é amenizar “clareando” o negro.

Muitos acreditam que chamar alguém de negro é ofensivo, e para ‘amenizar’ a situação da pessoa a classificam como “morena” ou “mulata”.

Não existe justificativa para negar que alguém é negro, não é nenhuma ofensa chamar alguém de negro.

 

NEGRO COM TRAÇOS BRANCOS (OU FINOS)

Geralmente nos negros, além da tonalidade da pele, os traços mais proeminentes são: nariz maior e mais achatado, cabelo crespo e lábios mais carnudos.

As pessoas negras que não possuem estes traços mais marcantes são consideradas mais bonitas, ou então “portadoras de uma beleza exótica”.

 

CABELO RUIM

A questão da negação da estética é sempre comum quando nos referimos ao cabelo Afro.

São falas racistas usadas, principalmente, na fase da infância, pelos colegas, porém que se perpetuam em universidades, ambientes de trabalho e até em programas de televisão, com a presença negra aumentando na mídia.

Falar mal das características dos cabelos dos negros também é racismo. Não existe cabelo bom ou ruim, apenas diferentes tipos de cabelos com curvaturas e ondulações de cachos diferentes.

 

A DAR COM PAU

Esta expressão teve origem nos navios negreiros.

Os negros capturados preferiam morrer durante a travessia e, pra isso, deixavam de comer.

Então, criou-se o “pau de comer” que era atravessado na boca dos escravos e os marinheiros jogavam sopa e angu pro estômago dos infelizes, a dar com o pau.

O povo incorporou a expressão.

 

MEIA TIGELA

Os negros que trabalhavam à força nas minas de ouro nem sempre conseguiam alcançar a meta de trabalho do dia.

Quando isso acontecia, recebiam como punição apenas metade da tigela de comida e ganhavam o apelido de “meia tigela”, que hoje significa algo sem valor e medíocre.

 

FEITO NAS COXAS

A expressão popular “nas coxas” também vem do tempo da escravidão.

Naquela altura, quando não havia forma para fazer as telhas, estas eram feitas nas pernas dos escravos, mais propriamente nas suas coxas para dar o formato arredondado da telha.

Como era natural, cada escravo tinha o seu porte físico específico, o que significava que as telhas nunca saíam iguais.

Desta forma, e porque as telhas ficavam irregulares, os telhados muitas vezes ficavam desnivelados.

Assim, até os dias de hoje, quando alguém cumpre alguma tarefa sem capricho, sem primor, é dito que essa tarefa foi feita “nas coxas”.

 

A COISA TÁ PRETA

A fala racista se reflete na associação entre preto e uma situação desconfortável, desagradável, difícil, perigosa.

 

DENEGRIR

O termo “denegrir” é utilizado quando acreditamos que estamos sendo difamados.

É uma palavra vista como pejorativa, porém, seu real significado é “tornar negro” e neste caso, se tornar algo negro é maldoso.

 

MENTIRA E/OU INVEJA BRANCA

A ideia do branco como algo positivo é impregnada na expressão que reforça, ao mesmo tempo, a associação entre preto e comportamentos negativos.

Mentira é mentira e inveja é inveja, não tem cor e sempre será errado.

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