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Aluno de Araraquara ganha bolsa por estudo sobre relação de gênero na Universidade

A pesquisa de Igor Felipe Benatti foi contemplada pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica – PIBIC/CNPq

Foto: Comunica Araraquara

Você já reparou que existem mais homens ocupando certos cargos, como os de engenheiro, advogados e tantos outros? Pois o Igor Felipe Benatti já e resolveu estudar a fundo essa questão.

Orientado pela professora Viviane Queiroz e coorientado pela docente Juliene de Cássia Leiva, o aluno do oitavo semestre do curso de Psicologia da Universidade de Araraquara (Uniara) desenvolveu a pesquisa “Discurso de gênero: a relação de poder entre estudantes universitários no interior do Estado de São Paulo”.

E recentemente, Igor foi contemplado pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica – PIBIC/CNPq, ganhando uma bolsa de estudos.

Em entrevista ao Comunica Araraquara, ele falou sobre a importância dessa discussão. Confira:

Foto: Comunica Araraquara

O seu estudo é sobre relações de gênero, né? Por que decidiu fazer este estudo?
Esse tema é oriundo de uma conversa que tive com minha Professora e Coorientadora Viviane Queiroz, sobre a baixa quantidade de mulheres comparada aos homens que atuam em áreas e profissões que são idealizadas socialmente para o sexo masculino, como engenharia civil, mecânica, produção, dentre outras. Ademais, como se dá a representação social dessas mulheres que buscam adentrar nestas áreas, enfrentando os discursos e condutas machistas que perpassam essas relações.

E qual a vertente dele? O que você estuda exatamente? Ele é relacionado ao ambiente universitário, né?
Muitas pessoas não detêm conhecimento de que o conceito de gênero advém do movimento feminista e desde o século XIX tal movimento vem lutando pela defesa e ampliação dos direitos das mulheres. Todavia, a violência de gênero ou violência contra a mulher é considerada como um fenômeno complexo, multicausal e bastante presente em nossa sociedade em razão da cultura patriarcal ainda presente no país. Além disso, esse fenômeno se dá de diversas maneiras e adentra diversos contextos, incluindo o universitário. Sendo assim, o objetivo do meu estudo é identificar a relação de poder estabelecida, por meio do discurso de gênero, que legitima e contribui para a violência contra a mulher nos cursos com predominância de estudantes do sexo masculino.

Muitos alunos buscam bolsas de estudo para financiarem os seus estudos. O que sentiu quando viu que tinha sido contemplado?
Eu não tenho conhecimento sobre a dinâmica dos outros cursos em relação ao incentivo à pesquisa, dessa forma, não sei responder quantos alunos ao todo estavam buscando a bolsa de Iniciação Científica, porém, a Coordenação do curso de Psicologia da Uniara demonstra grande incentivo para a iniciação à ciência. Me senti muito feliz, pois não contava com esse desfecho em razão das verbas sendo centralizas à saúde, a fim de produzir ciência para o combate da COVID-19. Porém, acho válido ressaltar que segundo estudos realizados, a violência contra a mulher aumentou nesses tempos de pandemia.

Qual a importância do seu estudo para outros alunos?
Ainda há uma sociedade que valoriza e mantêm a dominância masculina, desse forma, meu estudo pode contribuir para a mudança desse paradigma, visando proporcionar integração harmônica entre os sexos, acelerar o processo de desenvolvimento da mulher independentemente do curso ou área escolhida, minimizar as implicações psíquicas causadas pela supervalorização do sexo masculino e desnaturalizar e combater a violência contra a mulher que adentra as instituições de ensino superior.

E ele já está finalizado?
Esse estudo é uma ampliação do meu projeto de Trabalho de Conclusão de Curso que é uma revisão bibliográfica sobre as relações de poder que se dão pelo discurso de gênero no contexto universitário e que corrobora para a violência contra a mulher. Dessa forma, atualmente está finalizada apenas a fundamentação teórica da minha pesquisa, portanto, falta toda coleta, análise e discussão dos dados.

Você é estudante de Psicologia, correto? Qual o ano? E por que decidiu cursar psicologia?
Sim, estou cursando o nono semestre de Psicologia e escolhi esse curso, a fim de ampliar minhas possibilidades e conhecimentos na área de Gestão de Pessoas, uma vez que, dentro das áreas da Administração, essa foi a que mais me interessou.

Qual o seu maior sonho em relação à psicologia? Como profissional?
Até o presente momento colecionei algumas experiências em diferentes áreas da Psicologia por meio de estágios curriculares e extracurriculares, bem como já atuei na área de Gestão de Pessoas durante dois anos. Não sei ao certo qual área seguir, apenas sonho em promover, por meio da minha prática profissional e de minhas produções científicas, o respeito, a dignidade e a integridade de todas as pessoas.



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