Cultura

Araraquarense cria projeto digital sobre Umbanda para discutir intolerância religiosa

A página “I Love Umbanda” tem o objetivo de empoderar os adeptos das religiões afro-brasileira e acabar com o racismo estrutural

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Felipe Amaral é o criador do projeto I love Umbanda. Foto: Comunica Araraquara

O que você sabe sobre a Umbanda? A religião brasileira, que sintetiza vários elementos das religiões africanas e cristãs, sofre inúmeros casos de intolerância religiosa no Brasil diariamente. Então, nada melhor do que difundir o conhecimento e esclarecer inverdades que rodeiam a religião, não é mesmo?

Essa foi a ideia do araraquarense Felipe Amaral, que criou a página I Love Umbanda em 2018, como trabalho de conclusão de curso Pós-Graduação em Produção de Conteúdos Audiovisuais Multiplataformas (EAM) da UFSCar.

“Em processo de desenvolvimento pessoal e espiritual, decidi compartilhar nas redes sociais, algumas dicas, referências e informações que me ajudaram e poderiam auxiliar novos adeptos a compreender a diversidade e os fundamentos da religião Umbanda. Foi uma forma de me conectar com outros umbandistas e aprender mais sobre a religião. E também, incomodado com o grande número de casos de intolerância noticiados no Brasil, decidi discutir sobre o tema, com o objetivo de informar, quebrar estereótipos enraizados pelo racismo e combater a intolerância religiosa contra religiões afro-brasileiras”, afirma.

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Foto: Comunica Araraquara

Primeiro contato

Apesar de já ter frequentado outras religiões na adolescência, Felipe nunca se dedicou a nenhuma. A ligação espiritual veio só depois do contato com a Umbanda.

“Em 2012, sofri um grave acidente que me fez refletir sobre meu propósito pessoal e espiritual. Em um processo de reflexão e desconstrução, procurei um centro Pedra Verde em busca de ajuda espiritual, me identifiquei e reconectei com as minhas origens e a ancestralidade. Atualmente sou filho e trabalho como ogã, neste centro”.

E assim como outros umbandistas, Felipe também sofreu preconceito por seguir a religião.

“Já sofri várias situações de intolerância religiosa. A situação que mais me chocou, foi quando eu estava em férias, em Salvador, na Bahia, e fui visitar um dos terreiros de candomblé mais antigos do Brasil. Solicitei um motorista de aplicativo, mas quando ele chegou no local para nos buscar, sem escrúpulos fez o sinal da cruz, deu ré e recusou a corrida. Na cidade mais negra do Brasil, em 2019, as pessoas ainda têm esse nível de preconceito”.

Coleção de roupas

Além das postagens no Facebook, outra maneira que Felipe encontrou para acabar com o preconceito é a coleção de camisetas Minha Proteção, criada como um instrumento de combate à intolerância religiosa e empoderamento para umbandistas e adeptos manifestarem sua fé com estilo e liberdade.

“A coleção Minha Proteção relata a importância e os fundamentos espirituais, imbuídos nos colares de proteção usados por umbandistas e adeptos de religiões de matrizes africanas. A coleção consiste em 5 ilustrações diferentes em uma variedade de cores e símbolos de proteção. Cada ilustração inclui um símbolo e a cor respectiva ao Orixá ou guia de proteção. A moda também é uma forma de resistência”.

Os interessados podem comprar as peças pelo Instagram @iloveumbanda ou pela loja virtual http://loja.iloveumbanda.com.br

“Em breve teremos mais coleções e acessórios”, afirma.

Informação em primeiro lugar

Então, antes de sair por aí reproduzindo mentiras sobre a religião, que tal aprender um pouco?

“Chamar os outros de macumbeiros, de forma pejorativa, é uma ofensa sim. Para informar os ignorantes, macumbeiro é a pessoa que toca o instrumento percussivo chamado Macumba. Esse instrumento é feito com a madeira de uma árvore africana chamada Macumbe. Na página I Love Umbanda, quinzenalmente, postamos vídeos explicativos de 1 minuto, explicando fundamentos, curiosidades e questões da religião.”

Para saber mais, acesse: https://www.facebook.com/iloveumbanda/

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