Cultura

Araraquarenses publicam vídeo contra padrão de beleza que viraliza no Facebook

Até o momento, o vídeo já teve mais de 250 curtidas e 50 compartilhamentos

vídeo padrões de beleza

Gabriela Barbosa, Louize Garcia, Maiara di Franco e Juliana Fernandes participaram do vídeo. Crédito: Reprodução/Facebook

“Por que você não põe silicone?”, “você é gorda porque é relaxada”, “com o cabelo liso você era mais bonita”. Essas são só algumas frases que 11 araraquarenses não cansam mais ouvir sobre suas aparências físicas. Por isso, eles e elas se uniram e gravaram um vídeo contra os padrões de beleza impostos pela sociedade.

O vídeo foi publicado no Facebook da fotógrafa Maiara di Franco, uma das participantes, e viralizou: até o momento já teve mais de 250 curtidas, 78 comentários e mais de mil visualizações.

Sem rótulos!!!Muito orgulhosa de participar desse challenge com pessoas incríveis ❤️@maiaradifranco_ @bea_por_um_triz @veggabs@sereiaadoasfalto @badqueen_e@jull_fernandes@evillins @higorporai @mar_jory @pamwlf @grazzoka

Publicado por Gabriela Barbosa em Domingo, 3 de maio de 2020

Louize Fernandes Garcia, que também participou da ação, não pensou duas vezes em mandar o seu vídeo, pois acredita na importância da mensagem que ele passa.

“Eu, num corpo trans, sei como é forte esse tal de padrão. Nós precisamos parecer realmente um corpo feminino, mesmo sabendo que cada corpo é único e individual – cada beleza é única. E tentar chegar em tal padrão faz com que tenhamos disforia, anorexia, nos comparamos com outras vidas e esquecemos o nosso real valor. Se alguém quer mudar, que mude por ela mesma, por sua própria vontade. Você é linda assim, como é! Se ame mulher!”.

Seja como você quiser

Juliana Fernandes também aceitou o desafio por acreditar que não existe um padrão para você fazer o que deseja.

“Acredito que os padrões de beleza, além de julgarem e colocarem principalmente as mulheres em rivalidade, causam distorções entre as diferentes culturas. Principalmente no caso da mulher negra, que não se via representada e era submetida a passar por diversos procedimentos químicos e dolorosos para poder ser aceita em uma sociedade racista. Os padrões de beleza causam também problemas e dificuldades de aceitação, autoestima, doenças psicológicas, infelicidade e entre muito mais coisas ruins. Sabia que o vídeo seria uma oportunidade de mostrar um pouco da minha arte como mulher negra, gorda e bailarina e mostrar que não existe um padrão certo para fazer o que você gosta; basta ter coragem e acima de tudo, amar quem você é e da forma que você quiser ser.”

Resultado positivo!

Gabriela Barbosa, que decidiu participar do vídeo para mostrar que mulher tatuada não é sinônimo de promiscuidade, recebeu várias mensagens de outras pessoas, que adoraram o resultado.

“Houve muitos comentários de apoio, foram mais de mil visualizações em pouco tempo. O apoio maior foi das mulheres”.

Para ela, cada pessoa é dona do próprio corpo e pode fazer as mudanças que desejar, porém, é preciso prestar atenção aos motivos.

“O padrão de beleza varia muito de acordo com cada sociedade e cultura local… nessa sociedade em que vivemos, vejo muitas adolescentes que se espelham em artistas e a mídia bombardeia com ideias de perfeccionismo surreal. Nossos corpos nos pertencem e na cena da modificação corporal, acredito que tudo seja válido desde que a pessoa tenha plena consciência de que faz algo por si mesma e não para atender esse padrão de beleza imposto! Podemos, sim, colocar silicone, botox, etc (claro que isso não inclui menores de idade), mas desde que essas mudanças não sejam uma obsessão, um transtorno onde o que vale é se encaixar, agradar o olhar do outro, gerando sofrimento interno de não aceitação.”

E você, se reconhece em alguma frase do vídeo sobre padrão de beleza?

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