Cultura

Artista de rua chama atenção com facões na avenida 36!

Conheça o trabalho e o talento do artista Gabriel Lagrotta

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Foto: Comunica Araraquara

Quem já passou pela avenida 36 já deve ter visto o talento de Gabriel Lagrotta!

Natural da cidade de Bauru, o artista de rua largou a faculdade e começou a dar verdadeiros shows nos semáforos da cidade em 2017.

Hoje, o malabarista vive da sua arte e trabalha muito, todos os dias, debaixo do sol quente da nossa cidade – sempre com sorrido no rosto (que dá para ver até usando a máscara!).

Nossa equipe conversou com o artista, que comentou sobre a valorização da sua arte aqui na cidade e também, as situações de preconceito que já enfrentou.

Confira!

Como você começou?

Aprendi malabares no fim de 2016 durante uma viagem de carona por Minas Gerais e comecei a ir pro semáforo em 2017. Comecei a fazer malabares com bolinhas, depois foram as claves (que parecem pinos de boliche) e depois aprendi o facão e as tochas de fogo. Na tentativa sempre de melhorar meu repertório artístico que é a forma que eu vivo e financio minha vida, quanto mais coisas diferentes você fizer, logo terá mais “meios” de conseguir pagar comida e contas. Além disso, tento ressignificar o facão através da arte, que é um objeto perigoso e muitas vezes atrelado à violência; procuro usar o facão com um propósito totalmente diferente, por isso ele não tem corte algum, e tem fitas prateadas de enfeite. A ideia é que eu estou brincando, mas com responsabilidade e técnica tentando trazer uma leveza pros facões. Não há um nome específico – tudo isso é malabares.

E você sempre foi artista de rua aqui em Araraquara?

Em Araraquara já estudei na Unesp fazendo administração pública em 2014 e 2015, porém não era uma vontade pessoal fazer universidade, embora defenda de forma incisiva que todos tenham acesso a todo conhecimento que está lá, pois muito pude aprender! Mas no fim, todos precisamos de uma forma de viver e ganhar dinheiro, e eu quis alcançar isso com algo que realmente fizesse sentido pra mim, que no caso não era ali! Foi aí que devido a dificuldades financeiras alinhada a essa busca por algo que eu gostasse de verdade de fazer na vida, eu encontrei a arte de rua. Hoje me sinto um profissional muito realizado! Mesmo com as dificuldades de fazer parte de uma classe marginalizada como os artistas de rua, todo final de semáforo é uma mistura de cansaço e satisfação, e depois fico lembrando no fim do dia dos sorrisos e das relações boas que tive naquele dia. É muito bom ver os trabalhadores diversos e interagir com eles e mostrar em alguns segundos uma pessoa com figurino, fazendo malabares e trazendo algo diferente praquele momento de correria.

E onde você se apresenta aqui em Araraquara?

Eu me apresento nos semáforos da avenida 36 e também em praças e eventos que acontecem na cidade e região!

E o dinheiro arrecadado é o suficiente para pagar as contas?

Sim, consigo pagar todas as minhas contas e quando sobra no fim do mês algum alimento ou uma reserva, uso para momentos de incertezas como a pandemia. Ou se um dia eu ficar doente, vou poder parar sem passar qualquer necessidade.

Você sente que a sua arte é valorizada aqui na cidade? O que poderia ser diferente?

Acho que sim e que não. Como disse, eu pago minhas contas, posso comer e até ter um lazer, o que faz parecer que a arte de rua é valorizada. Porém, essa quantia de dinheiro é construída com contribuições de 5 centavos, 25 centavos, 1 real… São tantas contribuições pequenas que no fim consigo o necessário, mas por outro lado fico pensando: quando a pessoa dá 25 centavos pra mim, ela está valorizando a arte de rua? O que eu posso comprar com uma moeda de 25 centavos? É aí que sinto que falta a consciência do público do que é arte e o quanto ela poderia realmente valer! Mas é isso, não estou reclamando das pequenas contribuições – muito pelo contrário – pego todas pra encher meu papo, mas podemos sempre refletir no “valor” afinal vivemos num mundo que o dinheiro é necessário.

Você sofre preconceito?

Eu sofro preconceito todo dia; eu me apresento centenas de vezes por dia e entro em contato com centenas de personalidades, algumas não gostam que eu exista e demonstram isso em olhares, palavras de desmotivação ou simplesmente fechando o vidro na sua cara enquanto você deseja um bom dia. Infelizmente nem todos são educados e entendem o que é arte e o que é trabalho. Eles acreditam que trabalhar é ser contratado por alguma empresa ou instituição, o que não é verdade, já que trabalho é tudo aquilo que tem um propósito e apresenta algo que nem todo mundo pode fazer! Eu faço algo que muitas pessoas não fazem e por isso vendo como meu trabalho! Mas é isso, sofro preconceito, mas ele não me afeta pois eu sei que sou artista de rua e eu valorizo essa arte, então não me importo com o que algumas pessoas pensam do meu trabalho ou de mim. Sinto muito por existirem pessoas sem educação. Ainda bem que existem muitas pessoas boas

E qual o seu maior sonho?

Meu maior sonho é que todas as pessoas pudessem ser elas mesmas, 100% do tempo e aprendessem assim, a seguir somente suas vontades individuais sem nunca prejudicar ou julgar a do outro. A “autonomia sentimental e social” de todos os habitantes da terra, seria meu sonho! Pois eu sinto que é isso que falta pro mundo ser melhor!.

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