Cultura

Autodidata, músico de Araraquara emociona quem passa pela Rua Gonçalves Dias!

Abimael Martins tem tocado nos semáforos da cidade durante a pandemia para ajudar sua família a pagar as contas

musico de rua de araraquara

Foto: Comunica Araraquara

Quem tem passado pela Rua Gonçalves Dias nos últimos dias, naquela esquina próxima ao Açaizeiro, tem aproveitado um verdadeiro recital de música. Quem “sobe ao palco” todos os dias é Abimael Martins, músico de rua de Araraquara.

Ao som de sua clarinete, Abimael apresenta todo o seu talento de músico que aprendeu a tocar sozinho, há mais de dez anos, quando se mudou para uma casa com vários musicistas.

“Ouvi música desde cedo por influência da minha mãe, que sempre ligava o rádio. Mas aprendi a tocar de forma autodidata, quando me mudei para Araraquara, em 2009, numa casa onde havia muitos musicistas profissionais e vários instrumentos”.

Anos mais tarde, já em 2018, Abimael precisava de dinheiro para fazer a inscrição na UFPEL, Universidade de Pelotas, e teve a ideia de tocar pelas ruas das cidades onde iria passar durante a viagem. Com muita dedicação, ele aprendeu a tocar saxofone.

“Pedi emprestado a um amigo seu saxofone alto para que pudesse ser um meio de eu chegar a Pelotas, em 2018, pois necessitava fazer matrícula na universidade. Não sabia tocar, por isso, passei a estudar sozinho por um mês até conseguir tirar três pedaços de músicas. Com isso, segui viagem a partir de caronas e ajuda de amizades. Depois da ‘odisseia’ feita, devolvi o sax e percebi que viajar tocando era mais fácil e divertido. Como eu estava sem instrumento, lembrei de outro amigo que morou comigo e que tinha vários instrumentos, então fui pedir a ele um emprestado e me emprestou a clarinete. Um tempo depois, me deu ela. Hoje toco clarinete na rua há 2 anos e 7 meses”.

musico de rua de araraquara

Foto: Comunica Araraquara

Pandemia

De volta para Araraquara por conta do cancelamento das aulas em Pelotas, Abimael voltou aos semáforos em busca de dinheiro para se manter na cidade e ajudar a sua família. Ele conta que em razão da pandemia, tem sentido o aumento de pessoas nos semáforos e por isso, cada hora está em um lugar diferente da Morada do Sol.

“Nem sempre toco próximo ao Açaizeiro; existem muitos semáforos com bom tempo (no mínimo 45 segundos) e fluxo na cidade, e também existem muitos artistas de rua e pessoas apresentado outros tipos de trabalho, além de pessoas pedindo dinheiro. Por isso, onde vou tocar depende de muitos fatores”.

E mesmo com tanto talento, Abimael já enfrentou diversas situações de preconceito aqui em Araraquara, por pessoas que não entendem a sua forma de fazer arte. “Já passei por várias situações de preconceito aqui: seguranças de estabelecimento me ofendendo, gerentes de fastfood tentando roubar dinheiro das moedas que levo para troca e motoristas que tentam me agredir física ou verbalmente”.

Apesar das dificuldades, o músico de rua de Araraquara continua emocionando muitos que passam a sua volta e seguindo atrás dos seus sonhos.

“Meu sonho é conseguir tirar a pedra no meu rim e construir um telhado na casa da minha mãe.”

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