Cultura

Araraquarense conheceu 17 países viajando de bicicleta!

Conheça a história e a trajetória do araraquarense Beto Ambrósio

Foto: Beto Ambrósio

Que tal conhecer 17 países da América Latina e ter a oportunidade de ver de perto diferentes culturas? Nada mal, não é mesmo? Mas e se esse desafio for sob duas rodas? Foi isso que o araraquarense Beto Ambrósio fez.

Ele viajou pela Argentina, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México, entre outros destinos, usando sua bicicleta. Para isso, ele precisou, não só de organização financeira, mas de muita coragem para poder encarar todos os desafios que estavam por vir.

“Foram muitos perrengues, sem dúvidas. Mas posso destacar os quatro dias em que pedalei pelo deserto do Atacama sem encontrar nenhuma vila, nenhum banheiro, nenhum posto, restaurante, nada. Apenas eu e o deserto, sem banho, apenas pedalando, pedalando, pedalando, mais de 100 km por dia, e dormindo na barraca no meio do nada”, conta.

Nesta entrevista, Beto, que hoje trabalha dando palestras e workshops para futuros aventureiros como ele, comentou mais detalhes da viagem e deu três dicas essenciais para quem também quer encarar o mundo lá fora.

Bora lá?

Foto: Beto Ambrósio

Como surgiu a vontade de fazer essa viagem? Ela foi programada por muito tempo?

Meu pai foi a minha grande inspiração. Ele já foi caminhoneiro, paraquedista, fotógrafo, e além de tudo isso, viajava de bicicleta. Cresci ouvindo suas histórias e sonhando. Como ele, sempre gostei de aventura, de mergulhar na natureza com uma barraca e uma mochila, e a bicicleta foi se encaixando em tudo isso. Descobri então que o ser humano viajava pelo mundo inteiro de bike, e isso mexeu muito comigo. A partir dessa descoberta, passei a sonhar com uma grande viagem. Antes de fazer a volta pela América, fiz duas viagens de férias pelas praias do Nordeste, e elas me mostraram a beleza do ser humano, como ele é solidário seja onde for. Quando elas te vêem viajando com uma bicicleta, as pessoas fazem questão de te ajudar, te colocam pra dentro de casa e te dão comida, cama e…amor. Pronto, me apaixonei por tudo isso e o sonho foi tomando corpo. A primeira viagem pelo nordeste aconteceu em janeiro de 2011, e a volta pela América começou em dezembro de 2012, então, eu diria que tudo aconteceu em 2 anos, desde quando o sonho realmente começou até o dia em que ele começou a ser realizado.

E quais os países que você visitou?

Foram 17 países da América Latina. Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, Belize, México e Cuba.

Foto: Beto Ambrósio

Qual deles você mais gostou? Por que?

Não sei dizer, cada um teve seu encanto.

Você passou por alguma situação de “perrengue”? Qual história desta viagem pode destacar?

Foram muitos perrengues, sem dúvidas. Todo dia tinha um, por menor que fosse. Pedalar mais de 120 km num dia só, já era um perrengue por si só, ainda mais quando tinha muita subida, vento contra ou pneus furados. Mas posso destacar os quatro dias em que pedalei pelo deserto do Atacama sem encontrar nenhuma vila, nenhum banheiro, nenhum posto, restaurante, nada. Apenas eu e o deserto, sem banho, apenas pedalando, pedalando, pedalando, mais de 100 km por dia, e dormindo na barraca no meio do nada.

Foto: Beto Ambrósio

Em algum momento sentiu vontade de voltar?

Não, nunca.

Você ficou quase três anos. Qual foi a sua renda durante este tempo?

Gastei uma média de R$1.500 a R$2.000 por mês (passando muito bem).

Você pensa em fazer uma viagem como essa novamente? Por que?

Sim, mas não tão grande, pois agora tenho uma filha. Penso em fazer expedições menores (de uns três meses cada) por diversas partes do mundo. Quero isso porque amo e porque hoje eu vivo disso, então eu preciso criar novos produtos para alimentar o meu negócio. Como uma empresa de roupas, por exemplo, que a cada ano lança uma nova coleção, eu preciso lançar novos livros, novas fotografias, novas palestras.

Foto: Beto Ambrósio

Poderia dar três dicas para quem também quer fazer uma viagem como esta?

É preciso CORAGEM para seguir o coração, PACIÊNCIA para esperar que o tempo certo chegue, e DESAPEGO de toda a zona de conforto. Para realizar algo desse tipo, é preciso abrir mão de muitas coisas cômodas da nossa vida. Se não houver esse desapego, fica mais difícil, ou seja, se sentirmos falta do conforto de casa ou do contato físico com a família ou então do salário fixo, fica mais complicado conseguir sair pelo mundo.

E quais os ensinamentos que essa viagem trouxe para você?

A viagem me ensinou que a coisa mais importante que podemos buscar é o autoconhecimento. Olhar pra dentro, meditar, estar atento aos nossos pensamentos, isso é fundamental para que possamos ser felizes. Sem isso, vivemos no piloto automático, somos constantemente levados pela força dos pensamentos gerados pela mente, que infelizmente, não gera só pensamentos bons, muito pelo contrário, ela dificilmente quer nos ajudar. Para ser feliz é preciso muita força de vontade, muito trabalho, ela não vem de graça, não vem com preguiça.

Foto: Beto Ambrósio

LEIA TAMBÉM

+ Araraquarense conta como foi enfrentar os desafios de viajar sozinha pela 1ª vez

+ 5 “praias” perto de Araraquara para você curtir

+ 5 cachoeiras próximas a Araraquara para conhecer já



Comentários

Your email address will not be published. Required fields are marked *