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Coluna Eloísa Helena: Dificuldade de Aprendizagem não é preguiça!

Confira o primeiro texto deste ano da psicopedagoga Eloísa Helena

Olá meus queridos, Ano Novo e novas postagens para a gente continuar a curtir esse espaço! Que em 2020 possamos aprender mais e trocar mais, com muita saúde e discernimento.

O tema hoje são as dificuldades de aprendizagem. Como os pais podem perceber o que está acontecendo? Qual o momento ideal de agir?

Já falamos em outras oportunidades que cada criança é única, com suas questões específicas, suas dificuldades específicas, sua forma de aprender e de perceber o mundo. Cada criança que entra no consultório é uma vida nova, um mundo novo de possibilidades, de anseios e de necessidades a serem percebidas e trabalhadas.

As dificuldades de aprendizagem são um obstáculo ou uma barreira, causadas tanto por questões de ordem cultural quanto cognitiva ou emocional. Podem ocorrer durante o processo de aquisição da leitura e escrita (mas não somente) e estarem relacionadas a diversas questões. Por exemplo, podem ocorrer durante o processo de alfabetização; pela forma de ensinar; e ou por causas externas de ordem psicológica, inclusive. Vale destacar que, em sua maior parte, existe a possibilidade de resolução no ambiente escolar, pois, geralmente são questões psicopedagógicas.

Falando de uma forma beeem simples, as dificuldades de aprendizagem diferem dos transtornos. Estes são ligados aos processos internos que têm origem genética ou neurológica ou biológica, enfim, cada caso um caso. Falaremos dos transtornos em outra publicação.

Uma criança que apresenta dificuldade de aprendizagem deve ser avaliada por uma profissional da psicopedagogia para as orientações cabíveis. Uma criança com transtorno de aprendizagem pode ser avaliada por uma psicopedagoga e deve passar por uma equipe multidisciplinar que vai avaliar diagnosticar, orientar (escola e família) e cuidar dessa criança.

Voltando às dificuldades de aprendizagem, seguem alguns exemplos de questões externas que podem interferir na aquisição da aprendizagem: uma internação longa que afastou essa criança da escola; uma violência psicológica; discriminação ou bullying também podem resultar em atrasos na aprendizagem… Enfim, estou sendo superficial, mas é para que percebam que situações externas podem interferir e atrapalhar o processo de aquisição da aprendizagem escolar.

Existe um vídeo circulando na internet (desde 2017) de um menino chorando inconsolavelmente, alegando que não pode copiar a tarefa, pois, “seu coração ia parar devido ao uso excessivo de força para fazer a cópia”. Ele faz um “drama” tentando convencer a mãe. Todo mundo riu e comentou esse vídeo.

Contudo… sempre que vejo e revejo o vídeo me questiono “o que leva uma criança tão inteligente a fazer aquela cena?”. Óbvio que não vou entrar no mérito de analisar aquela criança, seria um grande equívoco profissional da minha parte.

Minha reflexão se atém a usar o vídeo como exemplo para que os pais parem para perceber seus filhos. Esse comportamento é recorrente? Ocorre sempre que tem tarefa? Ou acontece apenas quando tem tarefa mas também tem uma coisa muito legal para fazer lá fora (ir brincar na casa de alguém, brincar com os amigos no quintal)? São pontos a serem analisados para diferenciar se existe algo a ser investigado ou não.

O que a professora da escola tem relatado? Percebem algo? É só daquele dia ou está acontecendo sempre?

Porque, às vezes, a criança só quer escapar de fazer uma tarefa. Em outras circunstâncias, a questão é “fazer um drama” para encobrir uma incapacidade. A criança arranja um subterfúgio para burlar a regra e não fazer uma atividade que ela não consegue realizar e não quer que ninguém saiba que não sabe fazer. E aí entramos na última questão deste texto. Qual a hora de agir? Passar essa criança por uma avaliação? Qual profissional procurar?

Bem, se o problema persiste e são questões escolares, aprendizagem, o profissional a ser procurado é a Psicopedagoga. Elencar uma profissional, agendar uma reunião de orientação e fazer as colocações iniciais pertinentes ao que está acontecendo. O quanto antes, pois a plasticidade cerebral é uma coisa que tem tempo e precisamos agir o quanto antes.

Se o problema for comportamental, o correto é procurar uma psicóloga, que também deve te orientar (a procurar outras especialidades para trabalhar em conjunto ou não). Bom, é isso! Escrevam o que estão achando dos textos, se têm alguma dúvida, um assunto que gostariam de ver abordado nesta coluna. Vamos construir juntos.

Eloísa Helena de Oliveira é Psicopedagoga, Pedagoga – especialista em Docência da Educ. Infantil e Arte Educadora. Atua na área da Educação e Proteção Básica há de 13 anos. Ministra cursos de arte educação para professores. Finalista do Prêmio Itaú-Unicef/2013 (categoria médio porte), como Coordenadora de Projeto voltado para crianças com dificuldades de aprendizagem, em Matão-SP. Atualmente, se dedica ao atendimento de crianças e adolescentes no consultório de Psicopedagogia em Araraquara.

Contato: @eloisahelenapsicopedagoga
facebook.com/eloisahelenapsicopedagoga

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