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Coluna Érica Alexandre e o que a pandemia tem nos ensinado

Confira mais uma reflexão da nossa colunista Erica Alexandre

E Abril chegou.

Tenho meu mais profundo apreço por este mês.

Celebro amor, celebro amigos, celebro Jorge, tudo em apenas 30 dias. Sempre gostei dele por sua intensidade, seu vigor, sua animação, pelas suas tardes quentes e noites frias, Pelo outono e suas folhas verdes que se revestem de laranja, que, diga-se de passagem, é minha cor favorita (além do amarelo, é claro!).

Mas este Abril começou diferente, silencioso… calmo demais para um mês que tem como signo regente principal Áries.

Escrevo ouvindo um jazz, mas não aqueles de outros tempos. Ouço meus contemporâneos e viajar ao som de Alfa Mist me fez pensar como o mundo gira, gira e sempre volta ao um ponto semelhante.

Em uma conversa recente com minha avó, ela me disse que quando era pequena, sua mãe sempre lhe contava sobre o surto de Febre Amarela que dizimou quase metade de Araraquara no século passado.

Contou-me sobre o cemitério que teve que ser construído ás pressas para enterrar os dizimados e refletia sobre o desespero que essas pessoas devem ter passado naquele período. Ela me disse que hoje sabe como essas pessoas se sentiam, algo que talvez sua mãe tenha sempre tentado lhe transmitir e que hoje ela pode vivenciar com detalhes.

Hoje ela entende. Hoje eu entendo.

Consigo compreender como somos grandiosos e insignificantes ao mesmo tempo e como a história apenas muda seus protagonistas, mas o roteiro pouco se diferencia.

Esses dias de quarentena nos tornam reflexivos. Acalmam nossos passos e pensamentos mesmo contra nossa vontade e assim como a natureza se refaz sem a interferência do homem, nós também estamos refazendo nossa natureza interior.

Mudando ideias, dedicando um tempo maior para nós mesmos, curtindo calmamente cada hora do dia, revendo a família que mesmo sob o mesmo teto víamos somente em fotos, lives e curtidas. Valorizando mais os abraços e beijos ou até se vendo livre de situações e pessoas constrangedoras.

A humanidade bateu á nossa porta e nos revelou quem realmente somos, sem máscaras e rodeios, apenas nós.

Nós…essa palavra também se tornou mais constante em nossas conversas. Ficamos menos individuais à medida que o desespero bate a nossa porta. Por que demoramos tanto pra entender?

Pelo menos uma vez a humanidade poderia se unir pelo amor, mas tem um péssimo hábito de imitar seus antepassados na dor, tanto no hábito de sentir como no hábito de causar dor. As pessoas minimizam a dor alheia a uma coisinha insignificante. Acreditam que escrever #luto já será suficiente para amenizar a dor de uma perda. Tornamo-nos demasiadamente robóticos, com frases feitas, pensamentos copiados e uma falta de caráter digna de qualquer vilão de novela.

E como a lei do retorno, ou karma, ou destino, ou revival da história (escolham a denominação que lhes cabe) nunca falha, ganhamos essa pandemia que ensinou na dor tudo aquilo que nossos pais sempre tentaram nos dizer: não seja egoísta, não existe só você no mundo!

Parafraseio Cazuza e hoje o meu prazer é risco de vida.

Falando em Cazuza, ele também é de Abril, o mesmo Abril que me viu casar e que celebra o nascimento da Luiza, da Helena, da Léo, do Brasil… Perdão, no caso do Brasil celebra a invasão do território mesmo; descobrimento é fake news e não podemos compartilhá-las. Me desculpe a falha!

Abril está silencioso, triste e ao mesmo tempo lindo assim como o jazz que continuo escutando neste momento.

Por hoje é só e o que o futuro nos reserva, não tenho ideia. Esses dias aprendi demais a valorizar o presente e este hábito creio que não sairá mais de mim por um longo tempo.

Lavem as mãos, evitem contato físico (recomendo a saudação de Wakanda para estes dias), amem, sorriam e conversem, mesmo a distância e isso vale tanto para amigos quanto para você com você mesmo.

Não escutem boçais que tratam pandemia como resfriado, se afastem de vez de gente mesquinha que vê mais amor no cifrão do que no próximo. Seja solidário com os seus e fique em casa.
Cuidem-se por mim que me cuidarei por vocês.

 

Érica Cristina Alexandre dos Santos, é araraquarense, casada, bacharel em Turismo e Hotelaria e organizadora de Eventos, cerimonialista. Érica também é turbanista (realiza oficinas gratuitas de turbantes para todos os públicos), professora de Técnico em Organização de Eventos e Técnico de Camareira e colunista do Comunica Araraquara. É do Amém, do Axé e do Namastê. E como diria Jorge Bem: “Abençoada por Deus e bonita por natureza”.

Contato: erica.alexandre23@gmail.com



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