Novidades

Coluna Érica Alexandre: sobre lares, lições e o início de uma década

E como está o seu lar?

Foto: Autumn Goodman/Unsplash

Como em uma boa conversa em um bar, ou ao lado de uma churrasqueira, começo esta coluna lhe perguntando: Como você está?

Espero que tudo esteja bem: sua saúde, seus afetos, suas emoções, e claro, seu lar.

Lar… Nos últimos tempos ando reflexiva sobre as palavras curtas e seus significados fortes.

Fonte: freepik.com/fotos

Como diria Francisco El Hombre: “Eu Sou o Meu Próprio Lar” e isso resume perfeitamente a importância que um lar tem sobre um ser humano. É nele que podemos nos abrigar contra o mundo, seja contra chuva, seja contra pessoas chatas ou contra momentos indecentes. É onde está nosso coração físico e emocional, um lugar que deve inspirar segurança, seja onde for.

Um lar vai além de paredes, muros, metragens pré-definidas ou um número em uma rua qualquer. Um lar é feito de coisas intangíveis: respeito, felicidade, paz, saúde, amor, confiança e qualquer outro sentimento que você julgue importante para sua jornada nesta vida.

Quando cuidamos de nosso lar, cuidamos de nós mesmos. Cada faxina por exemplo é como um banho, onde tiramos tudo de negativo e abrimos espaço para o novo, para o limpo. Em nosso lar não devemos colocar qualquer pessoa; ou por acaso você permite que qualquer um entre e faça o que quiser em seu corpo? Qual a diferença entre seu corpo e sua casa? Entendam, nenhuma.

Fonte: cotidianomasculino.com.br

Neste início de década, ano da justiça de Xangô, com Iansã dando seus pitacos certeiros, o caos se fez tão grande que nos restou somente uma coisa: Nosso Lar. Foi uma mensagem certeira da natureza nos dizendo: vá para casa, se refaça, cuide de si e dos seus que isso vai te ensinar a cuidar do mundo.

Começamos 2020 da forma mais improvável possível. Na verdade probabilidades tinham, a ciência nos alertou, mas como de costume nestes tempos de achismos e fake news, ninguém acreditou. E se tudo isso que aconteceu e ainda ecoa ao nosso redor não te fez rever toda sua trajetória, meu amigo, eu não sei o que te fará realmente mudar.

Mudanças existem ás mil maneiras, cabe a cada um escolher a que mais se harmoniza com seu cotidiano. Mas dentro de cada mudança, para que ela efetivamente aconteça, você precisa se sentir seguro, respirar ares confiáveis para pensar com calma em qual caminho trilhar. É aí que entra o lugar ideal para isso: Nosso Lar.

Espero que nestes dias de confinamento compulsório você tenha passado bem, que uma boa energia tenha habitado seu lar. Que se sozinho, tenha aproveitado a melhor companhia do mundo, a sua. E se acompanhado que tenha passado momentos tranquilos com aqueles que estão ao seu redor.

Com certeza você compreendeu que ter um lar não é apenas ter seu nome na conta de luz, ou trabalhar e trazer dinheiro pra casa. Definitivamente todos entenderam que como diria meu avô: não existe dentro de uma casa trabalho de homem ou trabalho de mulher. Todos são iguais perante a louça que se acumula. E também sei que agradeceram até a louça pra lavar, pois se existem pratos sujos é porque existe comida para abastecê-los.

Fonte: freepik.com/fotos

Para os que tem um relacionamento amoroso, este período se tornou ainda mais intenso e foi como uma volta aos primeiros momentos. Nos conhecemos novamente, como somos, sem baladas, festas e amigos pra disfarçar nossos ressentimentos. Verdades foram ditas, feitas e vistas…ano de ciclos iniciados e terminados, de colher o plantio feito até aqui, nem mais, nem menos. Para alguns uma lua de mel, para outros, um inferno astral permanente.

Terminar este ano vivo e saudável virou meta e motivo de comemoração. Sim, comemoração! Pois ao contrário de muitos e apesar dos pesares comemorarei o final deste ano agradecendo por todas as lições e por me proporcionar um retorno ao meu lar, ao meu interior. Saio deste ano fortalecida, pois se enfrentei 2020, enfrento qualquer coisa que o universo inventar para minha jornada.
Geralmente fazemos uma retrospectiva em Dezembro. Lá pelo dia 24, 25 nos tornamos milagrosamente generosos (ou mais melancólicos do que em finados), dia 26 comemos as sobras dos dias da generosidade e dia 31 agradecemos ao ano atual ansiosos pelo início do ano novo. Virou tradição.

Mas a melhor lição que tiro de 2020 é: Tradições são frágeis, quebráveis e estão aí para serem mudadas.

Este ano nos permitiu falar sobre Consciência Negra não somente em Novembro (Vidas Negras Importam 365 ou 366 dias ok?!), nos fez ver a falta que faz uma Quermesse Junina; nos fez valorizar o Dia das Mães e Dos Pais e entender que um abraço vale muito mais que uma postagem bonitinha nas redes sociais. Nos permitiu conhecer nossos filhos e agradecer imensamente aos professores por nos auxiliarem em suas criações. Volto a dizer, nos auxiliarem, pois 2020 também nos fez entender que a verdadeira criação e o ensino de educação e valores é feito dentro do lar. Nos fez ser empáticos ao ouvir um número de óbitos maior a cada dia nos noticiários e orar por pessoas que nunca nem vimos.

Nos evidenciou as almas sebosas e possibilitou que nos afastássemos delas obrigatoriamente. Que algumas não voltem nunca mais ao nosso convívio, mesmo após a pandemia, amém?!

Nos fez sentir saudades dos seres de luz e valorizar os momentos ao lado delas. Tenho certeza que quando tudo isso passar você pensará duas vezes antes de desmarcar aquele encontro com seu melhor amigo por preguiça. Momentos assim são únicos e de vital importância pra manter nossa sanidade mental.

Uma década se inicia, um ano parte para o seu fim e ainda há tempo. Se até agora nada fez sentido pra você, retorne ao seu lar. Refaça-o se necessário, construa um caso ainda não o tenha, valorize as pequenas conquistas e estabeleça metas maiores, acessíveis e condizentes com sua vida real. Volte a sonhar, pare de reclamar e praguejar, abrace as pessoas com o olhar, com as palavras. Cuide da sua vida, pois isso ninguém pode fazer por você. Que seu corpo seja seu templo, que seu lar seja seu universo.

Feliz Final de Ano Velho!

Érica Cristina Alexandre dos Santos é araraquarense, casada, bacharel em Turismo e Hotelaria e organizadora de Eventos, cerimonialista. Érica também é turbanista (realiza oficinas gratuitas de turbantes para todos os públicos), professora de Técnico em Organização de Eventos e Técnico de Camareira e colunista do Comunica Araraquara. É do Amém, do Axé e do Namastê. E como diria Jorge Bem: “Abençoada por Deus e bonita por natureza”.

Contato: erica.alexandre23@gmail.com

Comentários

Your email address will not be published. Required fields are marked *