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Coluna Erica Alexandre: Um Mês de Nome Masculino regido pelo Sagrado Feminino

Confira mais uma coluna de Erica Alexandre!

Olá Minha Querida, Tradicional ou Nem Tanto, Mulher do Hemisfério Sul.

Para você que se encontra na condição de mulher independente de gêneros, protocolos ou biologia, como este mês é nosso, minha conversa será como aquele slogan de uma certa loja de departamentos: de mulher pra mulher.

Homens, claro que vocês também são mais que bem vindos nesta conversa, mas apenas como ouvintes. Estamos acostumadas a ouvir e vivenciar seu plano perfeito de mundo masculino todos os dias, então desta vez sejam empáticos e silenciosos e apenas escutem, ou melhor, apenas leiam. Aprender é opcional, mas respeitar é obrigatório.

Meninas, há quanto tempo não entramos em contato com o nosso sagrado feminino?

Com os afazeres dos dias iguais esquecemos ou deixamos para depois o principal, o equilíbrio interno que nos faz ter forças pra enfrentar o exterior.

Nossos dias andam cercados de palavras que sequer mencionávamos antes: pandemia, lockdown, covid, cloroquina, auxílio emergencial, ensino a distância… sem contar o obituário que encontramos nas redes sociais diariamente. Não sei vocês, mas as vezes oro a Deus por todos os desencarnados em geral, para não esquecer de ninguém…o caos está aí e ao contrário do golpe da música, não cai quem quer, caímos todas nós de um jeito ou de outro, queira ou não queira.

No último ano fomos: chefes de família, mães, secretárias, adestradoras de pets, recreacionistas, educadoras, catequistas, chefs de cozinha, nutricionistas, contadoras, jardineiras, administradoras, enfermeiras, psicólogas, confeiteiras, amantes insaciáveis, faxineiras, esteticistas, terapeutas, órgão fiscalizador de programação infantil, especialistas em política, combatentes de fake news, seguranças…e tudo isso só em casa, excetuando as profissões remuneradas de cada uma. E todas essas nossas atividades não remuneradas foram vigiadas e julgadas de perto pelos habitantes de nossas casas. Foi como se estivéssemos em um misto de realities shows de uma vez, mas sem fim e sem prêmio milionário.

Que caos!

Claro que nossa cabeça não sairia impune de tudo isso e constantemente somos visitadas pelas 3 superpoderosas: Ansiedade, Depressão e Pânico. E com uma participação especial mensal da dupla dinâmica TPM + Mestruação, que vez ou outra pregam peças diferentes em nós, assustando inclusive quando não aparecem. Quem ainda não se pegou este ano com a menstruação atrasada planejando enxoval para um bebê que nem existe ainda é privilegiada sim!

Outras foram contempladas com mais uma pequena vida pra cuidar. Tiraram de letra? Óbvio que não, mas sobreviveram!

Sobreviver, esta palavra nos define mais do que nunca.

Sobrevivemos ao caos, sobrevivemos ao tédio, sobrevivemos a injustiças, insultos e agressões. Algumas sobrevivem em corpo, outras somente em espírito, já que o feminicídio também não nos deixa em paz nem em casa.

Quantas não partiram por causa de uma discussão pós embriaguez, ou por não servir o jantar no horário, ou por não estar a fim de sexo depois de um dia exaustivo, ou morreram por ciúme de alguém em uma rede social? Ouso dizer que muitas nem sabem por que morreram, ou morreram por simplesmente serem elas mesmas. E outras permanecem vivas em corpo, mas a alma já foi tão dilacerada que um sorriso sincero se tornou luxo em suas vidas.

Mais que Covid, a mulher morre lentamente há séculos, presa em um mundo onde sua natureza sagrada não recebe o valor que merece.

Mas quem nós somos? O que resta além das mais de 18 horas de jornada de trabalho entre afazeres de casa e trabalho na rua? Quem somos nós no silêncio do banho? Há quanto tempo não nos conectamos com o sagrado feminino que habita em nós?

O Sagrado Feminino é o poder de ser você mesma, o poder de saber quem é você, de definir sua história por inspiração própria, através de sua mente e coração. Ser feliz é pouco, o sagrado feminino te torna parte da natureza, uma obra divina cuja única missão no mundo é ser e trazer luz ao seu redor.

Dia 08 de Março, Dia da Mulher. Sabe qual o melhor presente para este dia? Um momento de paz, um dia para que a mulher seja quem ela quiser independente de opinião ou conselhos externos (geralmente machistas), que por muitas vezes ao invés de nos acalmar vai nos inferiorizar ainda mais. Um dia de menos críticas e mais empatia, mais aceitação, mais afeto. E por favor homens, sem aquela piada sem graça de: Deveria ter também o Dia do Homem. Vocês andam sem inspiração até para as piadas hein…

E você, cara leitora do sexo feminino, permita-se desfrutar deste dia. Desfrute tanto que estenda ele ao resto do ano.

Gabriela Luz, minha professora de Yoga de anos atrás em suas aulas sempre dizia que: “Temos que começar a aceitar o não fazer como algo normal em nossa vida.” Às vezes tudo que nosso corpo precisa é silenciar. É deixar o modo automático. Tudo que precisamos é de paz e uma dose de amor próprio.

Acredito que paz geralmente é simbolizada pela cor branca para nos permitir desenhá-la em nossa cabeça da forma que preferimos. Eu, por exemplo encontro minha paz cuidando de minhas plantas, ouvindo uma boa música acompanhada de uma taça de um bom vinho que harmonize com o momento. E você?

Sobre a ansiedade, não a deixe aumentar, quando ninguém te ouvir busque ajuda. Psicólogos, psiquiatras e outros profissionais da mente existem para isso. 2021 certo? Doidos são os que não buscam ajuda e ainda ferram com o psicológico dos outros. Pessoas normais procuram ajuda especializada para ajudar a tratar seus males. Se um infarto não é frescura, depressão e ansiedade também não.

Crédito: Sympla

Dedique também alguns minutos para sua evolução. Ouça o que as Grandes Mulheres Sagradas tem a lhe dizer. Sejam santas, cientistas, orixás ou feiticeiras, a feminilidade sempre foi e sempre será a salvação da humanidade. É a Mãe Natureza que traz a vida, e a leva embora; também alimenta, gera e embeleza. E nós como boas filhas da mãe maior, carregamos conosco uma força incomensurável, que muitas vezes nos aprisiona no conceito de mulher perfeita, forte e destemida que tudo sabe, tudo vê e tudo resolve.

Estamos tão acostumadas a carregar o mundo nas costas que ás vezes as pessoas se esquecem que temos sentimentos que vão além. Ás vezes nós mesmas nos esquecemos de quem realmente somos e nos perdemos em discursos fabricados geralmente por quem não tem a mínima noção do que é ser mulher.

Somos imperfeitas, destemidas e ao mesmo tempo com medo de animais invertebrados. Tiramos de letra alimentar a família com algumas centenas de reais por mês ao mesmo tempo que caímos em lágrimas com um corte de cabelo que não saiu como o planejado. Nossa individualidade é o que nos assemelha, somos únicas, somos divinas, somos a imagem e semelhança do sagrado em toda sua definição. Que me perdoem os demais, mas ser mulher é f*da (em todos os sentidos da palavra)!

Que meu desabafo tenha também te libertado. Sinta-se amada, sinta-se abraçada; nunca estaremos sozinhas. Que uma mulher possa sempre lembrar à outra o quanto ela é especial.

Beijos de luz, até o próximo encontro!

Érica Cristina Alexandre dos Santos é araraquarense, casada, bacharel em Turismo e Hotelaria e organizadora de Eventos, cerimonialista. Érica também é turbanista (realiza oficinas gratuitas de turbantes para todos os públicos), professora de Técnico em Organização de Eventos e Técnico de Camareira e colunista do Comunica Araraquara. É do Amém, do Axé e do Namastê. E como diria Jorge Bem: “Abençoada por Deus e bonita por natureza”.

Contato: erica.alexandre23@gmail.com

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