Colunistas

Coluna Fernanda Americano: Um convite para você mesma

Em sua primeira coluna no Comunica Araraquara, a estudante de medicina Fernanda Americano, fala sobre ginecologia autônoma

“Começo meu primeiro artigo nesta coluna, com a definição do termo que vai nos acompanhar por toda essa caminhada: GINECOLOGIA AUTÔNOMA. Afinal, o que é isso?

É quase impossível dissociar a história da mulher, com momentos repressão. Nós sabemos muito bem o peso de nascer e crescer em uma sociedade que oprime desde cedo nosso autoconhecimento. ‘Sente igual mocinha’, ‘Não toque aí’, ‘Esse sangue é nojento’. Essa, entre tantas outras frases já ouvidas, só nos desestimula a conhecer o que temos de mais importante, o nosso próprio corpo.

Pois bem, vivemos em tempos que muitas das mulheres não conhece sua própria anatomia, não reconhece suas alterações, não entende seu ciclo menstrual e sua grande importância e pior, anula o mesmo com anticoncepcionais.

Com isso, cada vez mais procuramos auxílio em ginecologistas, que na maioria das vezes, não nos acolhem como gostaríamos e não esclarecem nossas dúvidas. Já pensou se fosse possível mudar um pouco esse cenário?

É aí que entra a ginecologia autônoma. Esse movimento vem com a proposta de resgatar a sabedoria ancestral do cuidado feminino, aquela que a sua vó/bisavó praticava, que nossas descendentes tentaram manter viva, mas que infelizmente se perdeu por aí com tanta repressão.

Tal sabedoria inclui, primeiramente, o entendimento do ciclo menstrual e a sua importância em nossas alterações no humor, atitudes e decisões no dia a dia. Sim, os tais dos hormônios realmente influenciam nessas variáveis, mas além disso, se conectar com algo que é comum à todas mulheres no mundo e ainda assim, individual, me parece necessário, não?

O cuidado autônomo também inclui entender como é a anatomia genital feminina individual e se familiarizar com a mesma, o que faz com que alterações presentes na maioria das patologias ginecológicas sejam percebidas mais precocemente.

Para completar, a ginecologia autônoma tem uma grande relação com a ginecologia natural, que vem com a proposta de tentar resgatar um cuidado caseiro e respeitoso com a nossa feminilidade, sendo assim, utilizar-se de plantas medicinais e tratamentos com menos efeitos colaterais, que possuem a vantagem de serem acessíveis e conectar a mulher com seu próprio corpo.

Cabe aqui ressaltar que a ginecologia autônoma não é contra às consultas médicas, ao contrário, com o conhecimento do próprio corpo a mulher consegue reconhecer melhor seus sintomas e consequentemente, saber a hora de se consultar. Ela ainda sabe expor suas dúvidas, entender a função dos tratamentos e questiona-los com propriedade se achar necessário.

Sendo assim, convido todas as mulheres que sentirem o chamado, para se conhecer, vencer medos e se conectar novamente com seus corpos. É enriquecedor, é EMPODERADOR! Em um mundo de amarras, o conhecimento é nossa maior libertação!

Bora se resgatar?

Conheça a página no Facebook: Camomila – Saúde feminina e Instagram: @camomilasaudefeminina


Quem faz a coluna?

Fernanda Americano tem 26 anos, é estudante de medicina da Uniara e criou a página Camomila – Saúde Feminina para ajudar as mulheres a reconectarem com o próprio corpo e entender os sinais dele. No Comunica Araraquara, uma vez por mês, ela falará sobre ginecologia autônoma e outros assuntos que envolvem a saúde da mulher.

Comentários

Your email address will not be published. Required fields are marked *