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Coluna Maria Sylvia: O Conto de Aia

Confira a primeira coluna da nossa colaboradora Maria Sylvia Celli!

Foto: Divulgação

Como você, mulher, se sentiria, se de um dia para o outro fosse instaurado ​um ​compilado de regras​que simplesmente arrancasse de você todos os seus direitos? E mais: que determinasse que todos os seus bens, adquiridos no decorrer de toda uma vida, obrigatoriamente fossem passados para o domínio da figura masculina mais próxima da sua família?

Um tanto quanto injusto, não é? Afinal, por que essa incessante necessidade de diminuir a representação feminina no meio social?

Pois bem, é esse o cenário e é esse o contexto que circunda a narrativa do livro O Conto da Aia, da escritora Margaret Atwood. E sim, é simplesmente impossível não se sentir chocado e abismado com os fatos que vão sendo postos e desvendados no decorrer do avanço da leitura do livro.

Apesar de ser um romance distópico, conseguimos perceber o quanto não é impossível que a história, em alguns aspectos, possa, eventualmente, vir a se tornar realidade. Onde um dado espaço, regido por um modelo político autoritário, totalmente ausente de meios culturais, como jornais, livros ou filmes, que encara a leitura como uma afronta e um ato de desrespeito, que nega o acesso ao conhecimento científico, rebaixa uma grande parcela das mulheres a míseras procriadoras. É isso mesmo, a finalidade das Aias é apenas uma: gerar filhos para famílias de alta patente que possuem problemas com fertilidade.

O modelo político autoritário e teocrático firmado na República de Gilead, local onde se passa a história, visualiza na mulher, principalmente, a sua obrigação de abrir mão dos seus sonhos, ideais perspectivas para servir absolutamente ao Estado.

O sexo feminino obteve a graça divina de gerar vidas e, assim, conseguir manter as gerações em constante progressão. Logo, é um verdadeiro pecado e totalmente inaceitável abdicar desse papel para preferirem a independência, o crescimento pessoal e a posse de uma carreira. Por isso a intervenção foi necessária. E muitas mulheres que foram contra esse regime e não aceitaram essa nova realidade imposta, tiveram que enfrentar duros castigos.

Sem contar que todo tipo de “crime”, por menor que fosse, era resolvido por meio da execução. A ideia era que as pessoas, a partir de seus próprios olhos, vissem em um muro qual era o resultado quando alguém optava por ir contra as regras de Gilead.

Ler O Conto da Aia nos faz sentir desconforto, indignação. Durante a leitura não dá para se conformar sobre o quanto a sociedade pode ser opressora e abusiva com uma mulher. O objetivo do livro é que a partir da mensagem que ele fornece de maneira tão dura, possamos parar um pouco, sair do automático e conseguir refletir a nossa conjuntura atual e analisar o papel que cada indivíduo cumpre na sociedade.

Precisamos, o quanto antes, mudar a nossa postura para que a realidade presente na narrativa não bata na nossa porta. Só uma mudança de hábitos agora permitirá que consigamos, no futuro, alcançar um contexto social com igualdade, liberdade e que seja digno para todos. Leitura totalmente necessária! E para os adoradores de séries, como eu, a primeira temporada de The Handmaid’s Tale​ se baseia no livro.

maria sylvia celli

Foto: Arquivo pessoal

Maria Sylvia mora em Araraquara e é estudante de Letras. Ama viajar pelas páginas de livros desde pequena. É redatora em uma agência de Marketing Digital e não perde a oportunidade de assistir séries e filmes no seu tempo livre. Além disso, sempre busca ver tudo com o coração, já que o essencial é invisível aos olhos.
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