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Coluna Michael Douglas: A beleza crua na fotografia de Drago

Em sua coluna de estreia no Comunica Araraquara, o araraquarense comenta sobre a arte e o olhar do fotógrafo paulistano Drago

Foto: Drago

Alguns cantos são mais perigosos que outros. Algumas ruas são escuras, outras são claras demais. Há de existir o meio termo, um pouco do mistério que vem da penumbra. O trabalho de DRAGO, apelido de Victor Dragonetti, fotógrafo paulistano, nos revela o que não vemos, ou o que fingimos não ver.

DRAGO é um retratista da subversidade humana, do comportamento explícito, irreverente, sem rédeas, fronteiras ou limites físicos pré-estabelecidos pelo senso comum. Os pratos crus são servidos todos os dias nas ruas das cidades, sejam as metrópoles ou interioranas. Corpos se trombam e pisam duro no chão ressecado daqui e de lá.

Foto: Drago

Com suas imagens, doadas de bom grado pelos anônimos, DRAGO coloca em nossa cara aquilo que não enxergamos durante os dias e as noites. De pessoas em situação de rua, até ser humanos mascarados, a luz do seu olhar nos faz vislumbrar uma beleza crua, que só se encontra na rua.

Um espetáculo da vida exposta para todos verem, sem plateia aplaudindo, sem início ou fim.

Em seu papel, e em seu dever com a arte, o fotojornalista aceita o asfalto e tudo o que ele lhe dá. Em troca, entrega frações de instantes já perdidos. Talvez esteja ai um dos segredos do fotojornalismo, que em muitos aspectos, se confunde com a fotografia de rua.

Foto: Drago

O fotojornalista não clama por aplausos, muito menos espera reverências – ele apenas registra o real, o palpável. A fotografia se torna subjetiva a partir da visão de quem está de fora, de quem a lê, cabendo ali infinitas interpretações e leituras.

E por serem cruas e reais, as fotografias de DRAGO exalam belezas incomuns. A violência de sua existência não é explícita, não a percebemos no primeiro olhar descuidado. Mas ela está ali, talvez alguns centímetros fora do quadro, ou nos atos anteriores ao clique. Seus personagens nos olham diretamente na alma, nos pegam de assalto, tirando-nos desse conforto desconfortável em que nos enfiamos, nos balançam pelos ombros e jogam nossas certezas na lixeira da vida.

Essa é a rua e isso é o que acontece quando as luzes estão fracas, quando a última criança dorme, quando as sombras sobem os prédios. E há beleza em tudo isso. O trabalho de DRAGO vem para trazer à luz esses estranhos que todos conhecemos, dando voz as suas falas silenciadas, as suas vidas violentadas.

É de extrema importância que o fotojornalismo e a fotografia de rua continuem a trazer para a nossa reflexão diária, o que dela somos enclinados a esquecer. DRAGO nos entrega de bandeja um pouco da vida desses personagens banais, tirando-os do canto apagado do palco e trazendo-os à luz do espetáculo. O show é gratuito e assiste quem tem juízo.

Você encontra o trabalho do DRAGO em seu Instagram @vdrago e em seu site, com o portfólio completo https://dragofotos.wixsite.com/vdrago/ e as informações de contatos.

Abaixo, selecionei algumas outras fotografias de que mais gosto do DRAGO.

Foto: Drago

Foto: Drago

Foto: Drago

Michael Douglas é fotógrafo e poeta, natural de Araraquara mas criado em Santa Lúcia. Publicou seu primeiro livro de poesias, intitulado ‘O Gauche’ (Partesã), em 2017. Fotografou o projeto do professor Tadeu Marcato, ‘POESOFIA CRÔNICA”, em 2019. Fotografa as ruas de Araraquara, documentando a cidade e escreve nas horas em que a vida pede.
Facebook: www.facebook.com/michaeldouglas.diasbrumati
Instagram: https://www.instagram.com/dogrrs/
Email: michaeldiasbrumati@hotmail.com

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