Cultura

DJ de Araraquara participa de projeto com músicos do mundo todo!

DJ Micheletti integra um projeto musical italiano com artistas de todo o mundo

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Foto: Lívia Terra Fotografia

Jônatas Micheletti, mais conhecido como DJ Micheletti, foi convidado para integrar uma coletânea italiana com músicos de diferentes países.

Para representar o Brasil, somente Micheletti e um outro DJ de São Paulo é que foram convidados – demais, né?

A coletânea será lançada nesta segunda-feira, pelo selo italiano Salgari Records, e estará disponível nas principais plataformas digitais.

Mas, enquanto ainda não ouvimos a produção, que tal saber um pouco mais sobre o projeto?

Confira a entrevista que a nossa equipe fez com o DJ de Araraquara!

Como surgiu a parceria com a Salgari Records?

Faz algum tempo que disponibilizo na internet, mais especificamente através de Soundcloud, edits de música brasileira. Esse material tem chegado a vários DJs do Brasil e de algumas partes do mundo. Um deles foi o italiano Alberto Ciotta, também chamado Al-Jive Mestizo, DJ sicilano que passou a tocar esses edits em sets executados pela Europa. Fiquei sabendo disso porque ele me marcou em suas postagens e, eventualmente, nos tornamos amigos de Facebook.

O convite chegou até mim especificamente no momento em que se deflagrava a crise do coronavírus aqui no Brasil, com a situação sendo ainda mais crítica na Itália que, àquela altura, já estava em quarentena há algumas semanas. Foi no mesmo período em que foram desmarcados praticamente todos os meus trabalhos e eventos, eu estava nos preparativos para entrar em quarentena.

Alberto Ciotta é DJ residente do selo e coletivo Salgari Records, foi ele quem inicialmente me colocou em contato com a proposta do selo de lançar uma coletânea digital que reúne artistas de diversas partes do mundo. Hesitei, mas aceitei. Seria um desafio. E isso meio que norteou minhas primeiras semanas em quarentena.

A coletânea vai ser lançada agora, certo? Vai estar disponível nas plataformas digitais?

A coletânea foi lançada hoje, e está disponível na plataforma Bandcamp, muito usada entre produtores independentes.

Músicos de outros países também participam da coletânea?

Essa é a proposta. Reunir artistas de diversas partes, etnias e culturas. Não sou o único brasileiro envolvido; DJ Nirso, de São Paulo, também contribuiu com uma música que se chama “Rasteira de Vento”, feita a partir da “rasteirinha”, ritmo que é uma vertente desacelerada do funk.

Citando de memória, os demais produtores envolvidos são da Itália, França, Argélia, México, Indonésia, Argentina, Espanha, e outros lugares.

E eu gostaria que você falasse um pouco sobre a música que você fez. Qual o nome dela? E você mistura vários ritmos brasileiros?

A música se chama “Estrela Brilhante”, em referência a um dos “samples” utilizados na música, no caso o grupo Maracatu Nação Estrela Brilhante. A composição é uma colagem de loops, que mistura três ritmos afrobrasileiros: ciranda, coco e maracatu.

Você ficou muito tempo produzindo esta música?

O processo de preparação foi bem mais demorado que a execução em si. Vou contar como foi.
Entrei em quarentena tendo no horizonte o desafio de fazer uma música. Como disse, tenho experiência em editar músicas, que são versões de faixas pré-existentes. Mas, para essa nova situação, eu deveria fazer algo mais “autoral”. O que, no final das contas, consegui apenas parcialmente.

Fiz uma grande coleta e seleção de loops e samples em minha biblioteca de música brasileira. Explicando os termos, “sample” é um pequeno trecho ou recorte de uma música (como o som de um pandeiro ou uma cuíca, por exemplo, ou o vocal de alguém); e “loop” é um trecho musical que pode ser repetido ciclicamente. Fazendo uma comparação, é como se eu tivesse pegado minha coleção de revistas (no caso, minha coleção de cds e arquivos digitais de música) e recortado todas as figuras de que gostei, com o objetivo de produzir uma colagem depois. Sendo que fiz isso não com imagens, e sim com sons.

Foi trabalhoso, divertido e fiquei algumas semanas nisso. Quando o prazo para enviar a música para o selo estava se esgotando, havendo poucos dias para a “deadline” expirar, dei um tempo nesse garimpo de loops, e tentei editar alguma coisa a partir deles. A partir daí, foi relativamente rápido – até porque o prazo estava se esgotando.

E você fez tudo sozinho ou contou com a ajuda de outras pessoas?

Gosto da imagem de que somos anões apoiados em gigantes. Nunca fazemos nada totalmente sozinhos, muito menos a partir do nada. O tempo todo eu tinha DJ Shadow, dos Estados Unidos, como referência e inspiração. Nos anos 90, ele lançou o primeiro álbum feito completamente de samples (em outros palavras, ele criou músicas manipulando e recombinando partes e pedaços de outras músicas). Com as ferramentas digitais que temos disponíveis, não foi muito difícil submeter minha biblioteca musical a procedimento semelhante, com a diferença de que fiz isso numa abordagem “brazuca”, vasculhando a música brasileira à procura de beats e batuques que representem nossa cultura.

Respondendo mais objetivamente à pergunta, essa etapa de coletagem e edição foi feita solamente por mim. Contudo, cada sample que utilizei traz consigo o trabalho de outros artistas que, à sua revelia, foram incorporados na composição que editei. Além do grupo de maracatu homenageado no título da música (“Estrela Brilhante”), também sampleei canções de Zezé Motta, Lia de Itamaracá e Dona Glorinha do Coco. E a essa mistura acrescentei alguns elementos eletrônicos.

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Foto: Ana Lemes

Há quanto tempo você é DJ? Como tudo começou?

Meu envolvimento com música remonta há muito mais tempo que isso, mas sou DJ desde 2015 – quando discotequei pela primeira vez na Praça das Bandeiras, em uma feira chamada Convida. Era o começo, em Araraquara, do “boom” da feiras de economia criativa. Foi muito legal e estimulante ver pessoas dançando em espaço público – uma prática que me parecia nova aqui na região, mas que já estava rolando nas capitais e grandes centros com as festas de rua. Foi assim que, em 2017, eu e Nat Rozendo nos unimos na criação do Coletivo Tocaya, realizando festas de música em Araraquara – a fim de que esse tipo de situação (pessoas dançando e interagindo, DJs tocando música em espaço público) acontecesse com mais frequência em nossa cidade.

E qual a sua expectativa para o lançamento? Vão ter outras parcerias como esta?

As expectativas são modestas. Sou pé no chão e estou ciente de que se trata de um empreendimento pequeno e independente. Não sei o que vem pela frente. Mas só o fato de esta entrevista estar acontecendo, às vésperas do lançamento, já torna o cenário minimante auspicioso.

Independentemente de acontecerem mais parcerias como esta, seguirei com minha rotina de postar edits de música brasileira em minha conta de Soundcloud, esses sons estão cada vez mais populares entre DJs de música brasileira e entre o público que ouve esses DJs.

Em poucas semanas, o selo digital Folklore Beat, sediado em Fortaleza, irá distribuir um edit que fiz da canção “Marinheiro Só”, na interpretação de Mestre Suassuna e Dirceu.

Além disso, minha atuação junto ao Coletivo Tocaya segue firme e forte. Em junho, celebramos 3 anos de fervo e movimento. Queremos marcar essa data com uma programação virtual especial.

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