Cultura

O cientista de Araraquara que fez chover em 1940

Além dos estudos sobre chuva artificial, Dr. Frederico De Marco também foi pioneiro em grandes feitos na medicina e ciência

frederico de marco araraquara

Você sabia que em 1940, em um dia ensolarado, um cientista de Araraquara fez chover? Isso mesmo, Dr Frederico de Marco, que nasceu em São Paulo, mas escolheu a Morada do Sol para desenvolver seus estudos, foi o responsável por descobrir a chuva artificial.

Em entrevista ao Comunica Araraquara, o jornalista e pesquisador Ronesier Corrêa, comentou sobre o marco histórico na ciência e outros estudos pioneiros do cientista. Ele também foi responsável por realizar a primeira cirurgia de cérebro no Brasil, colaborou nos estudos que permitiram transplantes de órgãos sem rejeições e muitos outros grandes feitos.

“Embora ele tenha realizado muitas proezas reconhecidas pela Comunidade Científica Internacional, foi praticamente esquecido pela História do Brasil”, afirma o pesquisador.

Conheça mais sobre a história do Dr. Frederico de Marco na entrevista abaixo:

Você é pesquisador da vida do cientista, correto? Como começou esse interesse?

Eu sou um pesquisador, a questão de me dedicar mais ao Dr. Frederico De Marco e ao seu trabalho no passado se deu pela importância do médico e cientista e a sua obra em relação ao nosso presente e futuro. E, embora ele tenha realizado muitas proezas reconhecidas pela Comunidade Científica Internacional, foi praticamente esquecido pela História do Brasil.

E o cientista era araraquarense ou desenvolveu os seus trabalhos aqui?

Este é um ponto interessante. Apesar do Dr. Frederico ter nascido em São Paulo, e durante toda a sua carreira ter sido convidado para morar na Europa, EUA e outras capitais do Brasil, ele escolheu adotar Araraquara como a sua cidade, onde realizou a maior parte do seu trabalho.

Ele ficou muito conhecido por fazer chover, certo? Como foi isso?

Sua façanha mais conhecida foi ter subido em um avião em um dia ensolarado do ano de 1940 e ter feito chover, após jogar sais, preparados por ele próprio, por cima das nuvens. Na verdade, suas experiências com chuva artificial começaram em 1914, e em 1917 chegou a realizar experiências em Buenos Aires. Por não perceber interesse das pessoas, apenas voltaria a pesquisar formas de chuva artificial por volta de 1940. Frederico de Marco chegou, inclusive, a criar um foguete de baixo custo que, ao ser lançado, espalhava iodeto de prata nas nuvens e com isso a precipitação ocorria.

E esse método já foi usado até pela China, correto?

Recentemente (agosto de 2020) a plataforma Netflix estreou uma série de documentários intitulada ‘A Era dos Dados’ e num dos episódios, ‘Nuvens’, o processo das patentes do Dr. Frederico De Marco são mostradas em detalhes sendo utilizadas por empresas privadas nos EUA para solucionar as secas em alguns Estados daquele país, provocando as chuvas artificiais. Ou seja, o episódio do documentário mostra o que o Dr. Frederico já fazia nos anos 40. Os Emirados Árabes também vêm comemorando por conseguirem provocar as chuvas com o mesmo sistema (patentes) do nosso cientista. A Rússia utiliza em larga escala o mesmo processo, inclusive foi amplamente divulgado o seu uso na final da Copa do Mundo de Futebol em 2018. São mais de 40 países utilizando as patentes do Dr. Frederico De Marco, mas as Forças Armadas da China foram ainda mais longe. Nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, quando a festa de abertura ocorreria em estádios descobertos, os chineses se fizeram valer das patentes do Dr. De Marco e conseguiram provocar as precipitações (chuvas) antes que estas chegassem à Pequim, evitando as tempestades na cidade (nos estádios) durante as festividades de abertura das Olimpíadas. E atualmente está executando um projeto em larga escala que pretende provocar chuvas artificiais num território equivalente ao da Amazônia.

Sobre a biografia dele: quando ele nasceu? Ele estudou Medicina e Ciências Aplicadas pela Universidade de Roma? E também foi indicado para o Prêmio Nobel de Física de 1960?

Frederico di Carlo De Marco nasceu em São Paulo em 25 de abril de 1885 e faleceu nesta mesma cidade em 23 de junho de 1960. Foi um cirurgião, cientista, professor e inventor brasileiro, mais conhecido por inventar os métodos que possibilitaram o primeiro relato de realização de chuva artificial do mundo. Realizou pesquisas na área de transmissão de energia a distância, na inovação de métodos cirúrgicos e na interação do magnetismo com a biologia. Professor de doenças Tropicais e Infeciosas. Ex-professor de Anatomia Patológica na Faculdade de Medicina do Paraná. Professor Catedrático de Toxicologia e Farmacologia no Instituto de Química da Universidade do Paraná. Ex-professor da Universidade de Bolonha, com prática por cinco anos nos Hospitais de Berlin, Viena, Roma, Bruxelas, Leipzig (Alemanha) e Buenos Aires. Ex-diretor Médico da Casa de Saúde Augusto Murri de Bolonha. Ex-diretor de hospitais e membro da Sociedade Médica e Científica Europeia e Nacionais. Na Beneficência Portuguesa de Araraquara/SP realizou cirurgias extraordinárias, inclusive cerebrais como o caso de uma senhora de São Carlos/SP, acabando com as convulsões do Mal de Parkinson da paciente. Em 1957 seu nome passou a ser cogitado para uma indicação ao Prêmio Nobel de Física, pelas suas patentes de Chuvas Artificiais (a Fundação Nobel trocou telegramas com a Câmara Municipal de Araraquara), porém, ele veio a falecer em 1960 antes da formalização da sua indicação.

Além da chuva artificial, qual outro estudo o pesquisador também desenvolveu?

  • Ainda na infância, na escola Mackenzie, apresentou estudos sobre o telégrafo sem fios surpreendendo seus professores, algo que só viria a se tornar realidade muitos anos depois.
  • Transmissão de energia (eletricidade) sem fios, iluminando a Igreja Matriz a 400 metros da sua casa e o aeroporto Bartolomeu de Gusmão a 6 Km de distância.
  • Primeira cirurgia de cérebro no Brasil.
  • Colaboração nos estudos que permitiram transplantes de órgãos sem rejeições.
  • Invenção de aparelhos que colaboraram muito em exames não invasivos.
  • Estudos revolucionários sobre a importância dos Raios Cósmicos.
  • Em 1944 despertou o interesse de Einstein, com quem trocou correspondências após praticar experiência sobre o efeito da colisão de fótons. Sua intenção era explicar a natureza da luz.

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